A ministra do Clima das Fiji instou esta segunda-feira os países desenvolvidos a apoiarem uma “transição justa” para as energias renováveis, ajudando os Estados mais expostos às consequências das alterações climáticas.

Lynda Tabuya exigiu “compromissos por parte dos países desenvolvidos em relação à redução das emissões de gases com efeito de estufa” e afirmou querer “uma transição justa para abandonar os combustíveis fósseis”.

A ministra falava aos jornalistas no arquipélago, em Nadi, onde se iniciou esta segunda-feira uma reunião preparatória para a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP31), a realizar em Antalya, Turquia, entre 09 e 20 de novembro.

Fiji, Tuvalu e Austrália acolhem este evento pré-conferência até quinta-feira para aumentar a consciencialização sobre as prioridades dos pequenos Estados insulares do Pacífico, particularmente vulneráveis à subida do nível do mar e a eventos climáticos extremos.

O primeiro-ministro fijiano, Sitiveni Rabuka, pediu, na véspera da reunião, que o financiamento climático chegue às comunidades que dele necessitam “agora” e como “um ato de justiça, não de caridade”.

As Fiji esperam também garantir compromissos de aproximadamente 500 milhões de dólares (cerca de 442 milhões de euros) para reforçar a resiliência das nações do Pacífico.

A região defende ainda a manutenção da meta de limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius até ao fim do século e em comparação com os níveis pré-industriais, o aumento do financiamento para adaptação e mitigação de perdas e danos, e a colocação dos oceanos no centro das negociações.

Horas antes, também em Nadi, o secretário executivo da ONU para as Alterações Climáticas, Simon Stiell, alertou para o perigo do calor extremo na gravidez e partos, defendendo medidas de proteção de grávidas e recém-nascidos contra os efeitos do aquecimento global.

Num discurso, Stiell considerou que “manter-se fresco” não é uma opção quando não há um sítio fresco para onde ir, sublinhando que é preciso incluir a saúde materna e neonatal nos planos nacionais de adaptação climática e nas estratégias de combate às ondas de calor.

O responsável da ONU falava num evento organizado pela Wellcome, uma fundação internacional que financia investigação e programas de saúde, no âmbito de uma iniciativa para promover medidas de proteção de grávidas e recém-nascidos contra os efeitos do aquecimento global.

Stiell apresentou novos dados de um inquérito da Wellcome a mil profissionais de saúde materna da Austrália, Brasil, Índia, Reino Unido e Zimbabué, no qual 73% referiram que os casos ou complicações relacionados com o calor aumentaram nos últimos cinco anos.

De acordo com as conclusões do inquérito, 81% dos profissionais de saúde estão preocupados com o crescente risco do calor para a saúde materna, fetal e neonatal.