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Drogas

Fumar canábis danifica a comunicação cerebral

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Uma equipa de investigadores do King’s College London, liderada por um psiquiatra português, descobriu que fumar canábis de alta potência danifica uma zona essencial do cérebro humano.

Está cientificamente demonstrado que o consumo regular da canábis aumenta, a longo prazo, o risco de psicose; agora, demonstrou-se que a droga, quando consumida com um grau de concentração de THC elevado, danifica particularmente a comunicação cerebral

Getty Images

Fumar canábis de alta potência danifica a comunicação entre os hemisférios esquerdo e direito do cérebro humano, descobriu uma equipa de investigadores do Instituto de Psiquiatria do King’s College (Londres), um dos maiores centro mundiais de investigação psiquiátrica. Os resultados da investigação, liderada pelo português Tiago Reis Marques, foram publicados esta sexta-feira na revista científica “Psychological Medicine”.

A zona responsável pela comunicação entre os dois hemisférios cerebrais, conhecida como Corpo Caloso, foi o principal alvo do estudo. Os investigadores descobriram que esta estrutura é particularmente rica em recetores canabinóides, nos quais a Tetraidrocanabinol (THC) – a principal substância psicoativa da planta – atua. Por isso, o Corpo Caloso torna-se particularmente vulnerável aos efeitos desta droga.

No estudo foi utilizada uma técnica de Ressonância Magnética chamada DTI (Difusão-Tensão de Imagem), que examinou as alterações cerebrais ocorridas em 56 doentes que sofreram um primeiro surto psicótico e em 43 pacientes saudáveis. Os resultados evidenciaram que os pacientes, sendo submetidos ao consumo de canábis de alta potência (com concentração significativa de THC, a substância psicoativa da planta), sofreram alterações significativas nesta estrutura cerebral, comparativamente aos que não consomem a droga. 

O psiquiatra português e condutor da investigação, Tiago Reis Marques, que é Investigador Sénior do Instituto de Psiquiatria de Londres, afirma num comunicado à imprensa que o estudo deve “servir de alerta para a opinião pública, profissionais de saúde mental e decisores políticos sobre o tipo de lesão cerebral que estas drogas podem causar”.

O investigador mostra ainda preocupação pelo facto de “nos últimos anos (…) se verificar um aumento significativo na potência da canábis, com variedades muito fortes acessíveis a qualquer consumidor”. E avisa que “quer o tipo de canábis consumida, quer a sua potência e frequência, devem ser cuidadosamente avaliados”, já que podem ajudar a “quantificar o risco de uma doença mental”.

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