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São Tomé e Príncipe

Hospitais em São Tomé registam 42 novos casos da “doença desconhecida” esta semana

Os hospitais em São Tomé e Príncipe registaram esta semana 42 novos casos da chamada "doença desconhecida". Diretora dos cuidados de saúde diz que o número "está com tendência para diminuir".

O governo diz ter chegado a conclusão de que se trata de uma 'celulite necrotizante'

Os hospitais em São Tomé e Príncipe registarem esta semana 42 novos casos da chamada “doença desconhecida”, mas a diretora dos cuidados de saúde refere que o número de pessoas infetadas “está com tendência para diminuir”. Seis meses depois de a doença começar a afetar o sistema nacional de saúde do arquipélago, o governo diz ter chegado a conclusão de que se trata de uma ‘celulite necrotizante’.

As autoridades sanitárias são-tomenses dizem que ainda não descobriram uma cura para a ‘celulite necrotizante’ que já infetou quase 2.000 pessoas desde outubro do ano passado, altura em que começaram a surgir os primeiros casos. “O tratamento direcionado para esta doença em concreto ainda não temos”, disse Maria Tomé Palmer, diretora dos cuidados de saúde são-tomense.

Segundo a médica, os pacientes estão a ser tratados com “uma combinação de antibióticos”, conforme a orientação o infecciologista português, o primeiro a ser chamado pelo governo são-tomense para analisar a doença. “Porque está envolvida a infeção da pele que depois rapidamente desenvolve para necrose, com a morte do tecido”, explica Maria Tomé Palmer, sublinhando desconhecer até então o agente patológico que causa a infeção.

Em janeiro deste ano as autoridades sanitárias haviam avançado 1994 casos de pessoas infetadas pela doença de origem desconhecida, mas o Ministério da Saúde vem hoje dizer que “tem havido sobreposição na identificação de pessoas afetadas pela doença” para explicar que afinal o número é bem mais inferior.

Referiu-se a “casos de pessoas infetadas que se registam” em dois ou três postos de saúde diferentes. “Estamos a proceder a verificação dos livros de registo, mas informamos que o número não ultrapassa os 1350 casos”, diz a diretora são-tomense dos cuidados de saúde, sublinhando que “o mecanismo de propagação da doença ainda é desconhecido, mas importa dizer que estamos perante uma doença infecciosa, mas não contagiosa”.

Maria Palmer fez o primeiro “balanço” da doença para jornalistas, sublinhou que perante “a situação do crescente número de celulite necrotizante o governo promete clarificar a situação e tomar medidas para reforçar respostas do nosso sistema de saúde”.

Mais de meia centena de amostras foram enviadas para laboratórios especializados nos Camarões, Benim, Portugal e Bélgica para determinar o agente etiológico responsável pela doença e sua propagação, informou a médica.

O governo aprovou um “plano de ação” de combate ao surto e criou um comité nacional e outro multidisciplinar para fazer face a doença que está a preocupar seriamente as autoridades.

Segundo a diretora dos cuidados de saúde, a faixa etária mais atingida pela enfermidade é a partir dos 35 anos, sendo que os homens representam 57% e mulheres 43%. A doença alastrou-se para todos os distritos do país.

A organização mundial da Saúde (OMS) enviou para São Tomé uma representante para “acompanhar de perto e coordenar o surto epidémico” que já afetou várias centenas de cidadãos, disse a Lusa fonte da instituição na capital são-tomense.

Segundo a mesma fonte, Rosa Maria Silva, de nacionalidade cabo-verdiana chegou a São Tomé e Príncipe na quinta-feira por orientação do diretor regional da OMS onde vai “permanecer durante algum tempo”.

Na sexta-feira reuniu-se com a ministra da Saúde, Maria de Jesus Trovoada, com o ministro dos negócios estrangeiros e comunidades, Urbino Botelho e com a coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas.

Outros dois consultores epidemiologista da OMS chegaram a São Tomé esta semana para trabalhar com os médicos nacionais para esclarecimento dos agentes causadores dos casos de celulite necrosante.

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