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Caixa Geral de Depósitos

Ferraz da Costa defende que “ladrões” da Caixa devem ser conhecidos

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Presidente do Fórum para a Competitividade é fortemente crítico das administrações da CGD. Em entrevista ao Eco, defende ainda que lista de grandes devedores do banco público seja conhecida.

O presidente do Fórum para a Competitividade, Pedro Ferraz da Costa, defende a divulgação da lista de maiores devedores da Caixa Geral de Depósitos, como pretende a oposição na comissão parlamentar de inquérito ao banco público, já que considera que esta seria apenas “uma ameaça aos ladrões” e não uma “ameaça ao regime”. Em entrevista ao jornal Eco, Ferraz da Costa criticou ainda a falta de liderança e a incapacidade de rejeitar ingerências políticas dos antigos presidentes da CGD.

O antigo presidente da confederação patronal CIP é duro com quem geriu o banco público nos últimos anos: “Podem-me vir dizer: ‘Eu não sou um ladrão, sou só fraquinho e não tenho coragem para me opor a determinadas determinações’. Acha que os presidentes da Caixa, que viveram esse período, são pessoas que tinham capacidade para terem um lugar daquela responsabilidade?” Apesar disso, Ferraz da Costa não acredita na eficácia das comissões de inquérito à CGD, já que tem “grandes dúvidas que aquilo não seja uma ocasião de atirar ataques de um lado para o outro, em vez de se esclarecer a verdade e tirar consequências disso.”

Ferraz da Costa aponta ainda as fragilidades do banco público, lembrando que “durante o período da troika, Vítor Gaspar adjudicou o problema da CGD ao Banco de Portugal. Pôs lá uma equipa do Banco de Portugal. Eles estiveram a gerir aquilo. Ninguém disse isso em voz alta, mas de facto aquilo era uma sociedade intervencionada pelo Banco Central.

O presidente do Fórum para a Competitividade recorda já defendeu “há meses, que preferia que a Caixa fosse privatizada” porque não acredita “na supervisão do Banco de Portugal nem na supervisão do Estado português. Se acreditasse não tinham acontecido as coisas que aconteceram.”

Em ataques ao regulador, Ferraz da Costa afirma que “a supervisão do banco central é fraca há muitos anos”. Lembra ainda que “costumava dizer por graça” que “o Banco de Portugal, no tempo do Dr. Vítor Constâncio, foi essencialmente um gabinete de estudos que tinha uma atividade lateral que era a supervisão.”

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