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Autárquicas 2017

Ana Catarina Mendes sob pressão: PS/Braga apresenta moção de censura

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Depois do episódio com Rui Moreira, a número dois do PS volta a estar no centro de uma polémica: o PS/Braga apresentou uma moção de censura contra a socialista, acusando-a de autoritarismo.

A federação do PS/Braga diz que Ana Catarina Mendes tem um estilo "posso e mando"

Pedro Nunes/LUSA

O aparelho do PS/Braga apresentou uma moção de censura contra a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes. Em causa está o facto de a número dois do partido ter rejeitado alguns dos nomes propostos pela distrital bracarense para as autárquicas e aquilo que a federação diz ser um estilo “posso e mando” do PS nacional. Também Manuel Pizarro, líder da distrital do PS/Porto, é alvo da censura do aparelho socialista da federação de Braga.

A informação foi avançada pela edição diária do Expresso (link para assinantes). De acordo com aquele jornal, a moção de censura foi aprovada por unanimidade na semana passada e, face à ausência de resposta de António Costa — aqui na qualidade de secretário-geral do partido –, o PS/Braga está a ponderar tornar público o conteúdo do documento. Decisão será tomada na reunião da comissão política da federação, que acontece esta segunda-feira à noite.

A gota de água para o PS/Braga, há muito agastada com o comportamento da secretária-geral adjunta do PS, aconteceu a 25 de abril, quando Ana Catarina Mendes se fez representar por Manuel Pizarro num jantar organizado pela Câmara de Fafe “em nome do partido” — decisão que mereceu o repúdio de Joaquim Barreto, líder da distrital, que sentiu “desrespeitado e desconsiderado”, avança ainda o Expresso.

Em entrevista ao Observador, e confrontada com os problemas políticos que se verificavam no distrito de Braga, Ana Catarina Mendes reconheceu que o processo não foi pacífico, mas rematou de imediato a questão.

O PS felizmente é um partido plural e abrangente. Isso permite que no Congresso Nacional tenhamos definido como critério recandidatar todos os presidentes de câmara eleitos. Não há democracia sem procedimentos, não há democracia sem regras”, afirmou a socialista.

No entanto, os problemas entre o PS/nacional e a Federação de Braga começaram muito antes. Como o Observador explicava aqui detalhadamente, o distrito minhoto é um dos mais problemáticos para o Largo do Rato, que se viu mesmo obrigado a intervir na escolha de dois candidatos (Barcelos e Fafe) e a impor dois candidatos contra a vontade dos órgãos locais.

Oito câmaras bicudas que o PS arrisca perder

O jantar da discórdia foi organizado pelo atual presidente da Câmara Municipal de Fafe, Raul Cunha, que há muito se incompatibilizou com a Federação de Braga, liderada por Joaquim Barreto. O facto de Ana Catarina Mendes se ter feito representar por Manuel Pizarro — líder do PS/Porto — e de o PS nacional estar a apoiar ativamente uma candidatura que o aparelho local rejeita, precipitou a reação da distrital socialista de Braga.

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