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Observador, são 8 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Começamos em Moçambique. Três jovens terão sido mortos a tiro pela polícia em Maputo, horas antes da tomada de posse de Daniel Chapo. A denúncia é feita pela ONG Centro para a Democracia e Desenvolvimento. As mortes terão acontecido num bairro nos arredores de Maputo, durante a madrugada, numa altura em que já decorre a cerimónia de tomada de posse do presidente eleito. Daniel Chapo vai ser o quinto presidente da história de Moçambique. O enviado especial do Observador a Maputo, Pedro Jorge Castro, esteve há pouco no bairro onde terão acontecido estes homicídios e falou com uma testemunha que conhecia as vítimas.

Eu estou aqui neste momento, num bairro, que é o bairro da Machava. Tenho ao meu lado um jovem de uma mesquita, que é testemunha. Não é testemunha ocular, mas estava muito próximo quando aconteceram estes três homicídios destes três jovens que esta noite foram baleados. Eu vou-lhe perguntar o que aconteceu.

Muito bom dia. Eu sou dele e o que tenho visto é o que tenho presenciado. Na madrugada de hoje, das 2h50, houve tiroteios na Machava Sessimole. Esses tiroteios aconteceram das 2h50 até 3h20, por aí, de madrugada.

Sim. Não viu os tiros, mas ouviu.

Ouvi os tiros.

Como é que foram os disparos? O que ouviu?

O primeiro disparo, eu acredito que foi por uma arma automática que deu por aí oito tiros dentro de cinco segundos. Já digo, cinco segundos é muito.

Ainda tem o ruído da rajada muito vívido dentro de si. Como foi?

Fiquei assustado e tentei procurar saber o que estava a acontecer, mas acabei me lembrando que hoje em dia, aqui fora, é muito arriscado. Então, resolvi esperar para ver como ia terminar, mas depois de um minuto voltaram a dar novamente os tiros. Mesmo assim, continuei pausado em casa, não saí.

Ficou em casa para se proteger, para não vir a correr esse risco também.

Certo. Fiquei dentro de casa para me proteger. Depois, eu me apercebi que eles saíram da área. Então eu saí de casa, direto para a igreja, eu rezo o quadro e ponto.

E viu os corpos?

Sim, acabei vendo os corpos na rua, a caminho da igreja.

Conhecia estes jovens?

Eu conhecia os jovens. São pessoas que não passava um dia sem lhes ver.

E estariam a protestar contra a tomada de posse de alguma forma?

Não.

Estariam aqui nesta barricada que corta a estrada?

Sim, estavam aqui estagnados na estrada, mas eles são jovens daqui da zona. Um está aqui perto de casa, outro está aqui atrás de casa, não tão distante daqui da zona.

Reportagem de Pedro Jorge Castro, em Maputo, onde decorre a cerimónia de investidura de Daniel Chapo. Ele sucede Filipe Nyusi, mas sob a contestação de Venâncio Mondlane, que fala em fraude eleitoral. Daniel Chapo já chegou ao recinto da cerimónia na Praça da Independência, no centro da capital. O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, também já está na tribuna de honra para assistir à tomada de posse.

E este vai ser também o tema do Explicador, logo a seguir ao Jornal das Nove, com a análise do embaixador António Martins da Cruz e da especialista em assuntos africanos, Paula Roque. Pedro Passos Coelho é ouvido esta manhã como testemunha no caso BES.

Era o primeiro-ministro à data da resolução, verão de 2014. A audição está marcada para às 9h30 da manhã, no Juízo Central Criminal de Lisboa. Passos Coelho vai prestar esclarecimentos sobre a queda do banco pela quarta vez. Rui Casa Nova.

A primeira foi em março de 2015, nas respostas à Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES. A segunda foi em abril de 2021, na Comissão Eventual de Inquérito, às perdas registadas pelo Novo Banco imputadas ao fundo de resolução. E a terceira foi em junho de 2022, já na fase de instrução do processo BES. O antigo primeiro-ministro já prestou, assim, formalmente, esclarecimentos três vezes sobre o colapso do Banco Espírito Santo, os contactos e reuniões que existiram com Ricardo Salgado e a influência do governo na resolução. Passos Coelho tem mantido publicamente a mesma versão dos acontecimentos praticamente desde o início. Alega que a resolução do BES foi determinada, na altura, pelo Banco de Portugal e que o governo não interferiu na decisão. Hoje é expectável que repita esta posição em tribunal. A audição de Pedro Passos Coelho esta manhã deverá ser curta, visto que na parte da tarde vai ser ouvida uma outra testemunha.

Rui Casa Nova, com o processo que conta atualmente com 18 arguidos, incluindo o ex-presidente do banco, Ricardo Salgado. O Ministério Público estima que os atos alegadamente praticados entre 2009 e 2014 tenham causado prejuízos de quase 12 mil milhões de euros.

E este vai ser o tema do contra-corrente desta quarta-feira. Vamos estar também em direto do Juízo Central Criminal de Lisboa, sempre que se justificar. Pedro Nuno Santos descreve Alexandra Leitão como a maior aposta do PS para a Câmara de Lisboa.

O secretário-geral do PS confirma assim que a atual líder parlamentar vai ser a candidata a enfrentar Carlos Moedas.

A escolha de Alexandra Leitão para a Câmara Municipal de Lisboa explica-se de uma forma muito simples. A capital é muito importante. Lisboa está a ser mal governada pelo PSD e pelo presidente de Câmara atual e, portanto, o Partido Socialista tinha de fazer a sua maior aposta. E Alexandra Leitão é a líder parlamentar do PS e é uma das figuras, senão mesmo, depois de mim, a figura mais importante do Partido Socialista neste momento, depois de mim e do presidente do partido, como é evidente, a figura mais importante do Partido Socialista. E, portanto, este é o sinal da aposta forte que nós estamos a fazer em Lisboa.

As declarações de Pedro Nuno Santos foram feitas ao início da noite, na sede do PS, depois de ter estado reunido com sindicatos e associações do setor da saúde. O líder socialista aproveitou, de resto, para voltar a acusar o governo de incompetência na gestão do SNS.

E o primeiro-ministro enfrenta hoje o primeiro debate quinzenal do ano.

Vai ser a partir das 15h e a segurança deve ser o principal tema em cima da mesa. Miguel Viterbo Dias.

Num ano em que Luís Montenegro diz que a palavra-chave é investimento, o primeiro-ministro enfrenta os deputados na véspera de um Conselho de Ministros que vai aprovar 30 medidas de simplificação fiscal. A par da vertente económica, a segurança deve continuar a ser um dos temas no topo da agenda, depois das manifestações em Lisboa sobre as operações policiais no Martim Moniz, uma com a presença dos partidos da esquerda, outra promovida pelo CHEGA. Neste debate, Montenegro arranca com uma intervenção inicial de 10 minutos e depois começa a responder à oposição, começando pelo líder do PS, Pedro Nuno Santos. Este debate acontece também um dia depois da tomada de posse do secretário-geral do Governo, ultrapassada que está a polémica com Hélder Rosalino. O último quinzenal realizou-se a meio de dezembro e ficou marcado pelo tema do acesso de estrangeiros ao Serviço Nacional de Saúde.

Miguel Viterbo Dias com a antecipação do debate quinzenal de mais logo. Um debate para acompanhar em direto aqui na Rádio Observador, depois do jornal das 15h, com os comentários do editor de política Rui Pedro Antunes. 8:07, Carla Antes do Três Toques, que outras notícias merecem destaque? A Iniciativa Liberal quer que o relatório anual de segurança interna passe a divulgar a nacionalidade e o género dos criminosos e das vítimas. O partido liderado por Rui Rocha argumenta que estes dados podem contribuir para combater a desinformação. Os liberais vão entregar hoje uma resolução no Parlamento com esta recomendação. A ministra da Administração Interna é também ouvida hoje no Parlamento sobre três temas: a morte de Odair Moniz, a atuação da PSP no Martim Moniz e as bodycams. A audição de Margarida Blasco está marcada para esta manhã. Foi pedida por PS, Bloco de Esquerda, Livre, PCP e CHEGA. O presidente deposto da Coreia do Sul foi detido esta madrugada pelas autoridades. Yoon Suk Yeol explica que concordou submeter-se ao interrogatório para evitar um banho de sangue no país. Ele tinha sido afastado do cargo no início de dezembro, depois de ter anunciado a intenção de impor a lei marcial na Coreia