Elétricos

Sem incentivos, eléctricos “morrem” em Hong Kong

Outrora um dos ícones da mobilidade eléctrica, em Hong Kong não foi vendido um único automóvel eléctrico em Maio. A “culpa” será do fim das isenções fiscais sobre este género de veículos.

Com a alteração da política, os preços dos veículos eléctricos dispararam entre 50% e 80%. E as vendas caíram... para zero

Autor
  • António Sousa Pereira

Depois da Dinamarca, Hong Kong. Ou como os automóveis eléctricos ainda estão extremamente dependentes de factores que nada têm que ver com a sua valia intrínseca para vingarem num mercado ainda quase totalmente assente em modelos animados por motores térmicos (actualmente, representarão 0,2% da frota mundial de automóveis).

Segundo avança a Electrek, nem um único automóvel eléctrico foi matriculado naquela região administrativa especial do território chinês. O facto é tanto mais importante quanto Hong Kong foi, em tempos, um dos baluartes da mobilidade eléctrica, pela extraordinária adesão dos locais a este tipo de proposta. Elon Musk chegou a considerar Hong Kong como uma cidade “farol” para os veículos eléctricos, com a Tesla a deter mais de 80% de quota de mercado neste segmento.

O problema foi quando as autoridades locais implementaram uma agressiva política de redução das isenções fiscais sobre os eléctricos. Que, no essencial, fez os respectivos preços aumentarem entre 50% e 80%. E se, por um lado, era esperado que a procura baixasse, provavelmente ninguém preveria que as vendas caíssem de 2.964 unidades em Março (ainda que insufladas pelo anúncio da supressão desses benefícios) para um zero absoluto em Maio!

No âmago desta problemática poderá estar, igualmente, uma questão de lobbies. Fontes afirmam que há já algum tempo que alguns fabricantes, sobretudo os germânicos, vinham reclamando do facto de a Tesla dominar por completo o mercado de veículos eléctricos em Hong Kong, e de os incentivos fiscais não se aplicarem, também, aos híbridos plug-in.

Aparentemente, as autoridades decidiram cortar o mal pela raiz. E, ao invés de alargarem a abrangência dessas isenções, pura e simplesmente eliminaram-nas. O resultado está à vista, acabando por favorecer a compra de automóveis com motor de combustão: como a política fiscal é a mesma para todos, estes acabam por não ser penalizados pelo seu superior impacto ambiental.

Inquestionável parece ser que, sem o apoio dos governos, os eléctricos tem um (ainda mais) longo caminho a percorrer. Mesmo em latitudes em que a poluição é, de forma notória, um problema que precisa de ser resolvido.

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