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Exames Nacionais

Veja aqui a correção do exame de Português de 12º ano

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O IAVE já disponibilizou as respostas do exame português de 12º ano, que se realizou esta manhã nas escolas de ensino secundário português. Veja aqui em baixo as soluções oficiais da prova.

Getty Images/iStockphoto

Os alunos do 12º ano realizaram esta manhã o exame nacional de Português, uma das mais importantes provas de entrada no ensino superior. Este ano, a primeira fase do exame incidia num poema de Alberto Caeiro, na interpretação de um texto de Vergílio Ferreira e numa composição sobre cultura científica.

Consulte aqui em baixo as respostas oficias publicados no Instituto de Avaliação Educativa. Veja também o enunciado da prova a partir deste link (versão 1 e versão 2) e saiba os pormenores da contabilização das pontuações clicando aqui.

Grupo I – A

1 20

No poema, são apresentados dois processos distintos de criação poética. De acordo com o primeiro processo – o dos «poetas que são artistas» (v. 1) –, a poesia corresponde a um trabalho minucioso, rigoroso e artesanal. Neste contexto, as comparações com o carpinteiro (v. 3) e com o pedreiro – «como quem construi um muro» (v. 5) – enfatizam o trabalho formal e, por conseguinte, consciente do poeta. O segundo processo – defendido pelo sujeito poético – é o que se deduz do verso 4, em que o «eu» manifesta a sua tristeza e estranheza por haver poetas que não são capazes de «florir», ou seja, de fazer da criação poética um ato involuntário, espontâneo e tão natural quanto o ato de «florir».

Deste modo, o primeiro processo, o de uma poesia pensada, opõe-se à ideia de uma poesia espontânea e simples, dado que está em contradição com a própria natureza que, na sua diversidade e harmonia, constitui o modelo da verdadeira arte.

2 20

No verso «Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem não pensa» (v. 9), o sujeito poético exprime a ideia de que o pensamento é algo natural e espontâneo, recusando, por isso, o pensamento puro, na medida em que se afasta das sensações. Ao pensar, incorre, porém, naquilo que combate: a intelectualização.

Assim, verifica-se a existência de uma contradição entre o que o «eu» poético afirma (pensar como se não pensasse) e o que faz (pensar).

3 20

Na quarta estrofe do poema, a valorização das sensações é evidenciada pelo facto de o sujeito poético privilegiar a realidade captada pelos sentidos, concretamente a visão e a audição, como se comprova nos versos «E olho para as flores e sorrio…» (v. 10) e «E deixar que o vento cante para adormecermos» (v. 17). Nega-se, assim, a necessidade de compreender algo mais além daquilo a que se acede através das sensações, atitude evidenciada nos versos «Não sei se elas me compreendem / Nem se eu as compreendo a elas» (vv. 11-12).

A comunhão com a natureza decorre, por um lado, do facto de o «eu» considerar que é um elemento da natureza tal como as flores, partilhando com elas uma «comum divindade» (v. 14) que permite aceder à «verdade» (v. 13) e, por outro lado, do facto de «a Terra» ser caracterizada como a mãe natureza, acolhedora e protetora. Por esta razão, o homem entrega-se à natureza, numa atitude de desprendimento e de aceitação, sem qualquer mediação reflexiva (vv. 15-17).

Grupo II – B

4 20

Os episódios evocados têm em comum o facto de corresponderem a situações de perda que o autor não compreendeu e que provocaram nele um sentimento agudo de solidão.

Estes episódios distinguem-se, no entanto, pelo modo como essas partidas foram experienciadas por Vergílio Ferreira: quando o pai partiu, ficou a vê-lo afastar-se, sem exteriorizar o seu espanto e a sua mágoa; todavia, quando a mãe e a irmã partiram, reagiu, correndo atrás da charrete, na tentativa de as alcançar, e, depois, chorando durante a noite.

5 20

A afirmação «Mas toda essa infância me parece atravessar apenas um longo inverno.» (ll. 13-14) sintetiza a perceção de Vergílio Ferreira em relação à sua infância, na medida em que todo esse período é reduzido a um «longo inverno» (l. 14), refletindo uma vivência psicológica do tempo marcada pela dor. Efetivamente, o facto de a sua infância ter sido cristalizada na memória como um «longo inverno» sugere que se terá tratado de um tempo penoso, sofrido, marcado pela angústia, pelo abandono e pela solidão.

Neste contexto, a descrição do inverno, caracterizado como um tempo lúgubre e tempestuoso, triste e assustador, confirma essa perceção.

Grupo II

Item Versão 1 Versão 2 Pontuação
1 (C) (B) 5
2 (D) (C) 5
3 (A) (B) 5
4 (D) (A) 5
5 (A) (D) 5
6 (B) (A) 5
7 (A) (D) 5
8 (deixis) pessoal (deixis) pessoal 5
9 (oração) subordinada (adjetiva) relativa (restritiva) (oração) subordinada (adjetiva) relativa (restritiva) 5
10 ensinar ciência ensinar ciência 5

Grupo III

Dada a natureza deste item, não é apresentado exemplo de resposta.

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