Logo Observador
Guiné-Bissau

Capturadas 11 pirogas do Senegal empesca ilegal na Guiné-Bissau

As autoridades da Guiné-Bissau anunciaram que capturaram 11 pirogas de pescadores do Senegal que se encontravam a pescar ilegalmente em águas guineenses.

A Guiné-Bissau e o Senegal têm um acordo que permite que pescadores artesanais operem nas águas guineenses a bordo de pirogas equipadas com motores fora de bordo

André Kosters/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

As autoridades da Guiné-Bissau anunciaram, esta segunda-feira, que capturaram 11 pirogas de pescadores do Senegal que se encontravam a pescar ilegalmente em águas guineenses, mas quatro conseguiram fugir depois de terem feito refém um agente guineense.

Mário Fambé, coordenador da Fiscap (entidade de fiscalização das atividades de pesca) e Sigá Batista, capitão dos Portos de Bissau, confirmaram a captura das pirogas senegalesas, mas ambos lamentaram as circunstâncias da operação.

Além de terem entrado de forma ilegal no território guineense, sem o conhecimento dos serviços de emigração, os senegaleses estavam a pescar com redes não autorizadas, explicou o coordenador da Fiscap.

Segundo Fambé, na fuga das quatro pirogas para o Senegal, os pescadores daquele país levaram um agente da Guarda Nacional da Guiné-Bissau “que fizeram refém”.

O responsável guineense indicou ter já informações em como o militar se encontra “são e salvo num hotel de Dacar” depois de ter sido posto em liberdade pelos pescadores.

Levaram o nosso militar com a nossa arma e a nossa farda, o que não podemos admitir”, disse, visivelmente irritado, o coordenador da Fiscap.

Mário Fambé espera que as autoridades políticas guineenses tomem “as medidas necessárias” para fazer ver ao Senegal que situações do género não podem voltar a acontecer.

Esta segunda-feira de manhã foram apresentadas aos jornalistas sete embarcações da pesca artesanal apreendidas, mas o coordenador da Fiscap acredita que as quatro que fugiram para o Senegal serão repatriadas pelas autoridades de Dacar “para que paguem a multa” ao Estado guineense.

Fambé lamentou as condições em que os elementos da fiscalização se fazem ao mar para o combate à pirataria, salientando que enquanto nos outros países as operações são feitas com helicópteros, aviões e barcos na Guiné-Bissau, disse, são realizadas “com pequenas embarcações”.

A Guiné-Bissau e o Senegal têm um acordo que permite que pescadores artesanais operem nas águas guineenses a bordo de pirogas equipadas com motores fora de bordo.

Mário Fambé afirma que esse tipo de pesca “é mais prejudicial” aos recursos haliêuticos em comparação com a pesca industrial.

O capitão dos Portos de Bissau, Sigá Batista, considerou que a costa marítima da Guiné-Bissau “é aliciante” para pescadores de quase todos os países da Africa Ocidental, “talvez por saberem que não há vigilância apertada”, disse.

Para Sigá Batista, é incompreensível que todos os dispositivos de fiscalização das águas guineenses se encontrem na terra firme, quando deviam estar na zona insular do país, observou.

O nosso mar está aberto e vulnerável à pirataria”, notou o capitão dos Portos de Bissau, referindo que há gente em Bissau a avisar os pescadores infratores no mar de cada vez que a fiscalização se faz às águas.

Sigá Batista afirmou que se houvesse meios os fiscalizadores podiam ter trazido “cem pirogas” em vez de sete.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Minorias

O machismo militante da histeria anti xenofobia

Maria João Marques

Os que gritam xenofobia perante a mais leve crítica a certas comunidades onde os maus tratos a mulheres são inerentes à cultura que tanto defendem, fizeram a sua escolha: apoiar a opressão de mulheres

Justiça

Sexo forçado no tribunal

Luís Aguiar-Conraria

Não sei que idade têm os juízes, nem a juíza que votou favoravelmente este acórdão, mas, seja qual for a sua idade, envergonharam Portugal que foi, mais uma vez, e muito bem, condenado pelo TEDH.