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Coreia do Norte

Onde se podem comprar produtos de luxo na Coreia do Norte? Não é online

A ONU quer travar o programa nuclear. Uma das medidas tem sido proibir a importação e exportação de bens de luxo. Mas eles existem e a origem pode ser China, Singapura, Malásia e Rússia.

Chung Sung-Jun/Getty Images

No dia 20 de novembro de 2006, a Organização das Nações Unidas (ONU) adotou as primeiras medidas restritivas contra a República Popular Democrática da Coreia. Uma delas foi “a proibição de importação e exportação de artigos de luxo”. Ao longo de vários anos, cada vez mais sanções têm vindo a ser adotadas com um único objetivo: travar o programas relacionados com armas de destruição maciça e mísseis balísticos da Coreia do Norte. Carros de corrida, pérolas, artigos desportivos e relógios estão na lista de sanções.

Mas estes artigos existem à venda. É o que mostram as fotografias de uma investigação que durou um ano por parte do NK PRO, um grupo independente de monitorização da Coreia do Norte, publicada esta segunda-feira. As fotografias mostram vários artigos de luxo que estão entre as sanções da ONU.

Estão à venda em duas lojas de luxo em Pyongyang. São lojas que só funcionam com dinheiro, recusando qualquer tipo de pagamento em cartão. “Vi os norte-coreanos a pagar com notas de cem dólares por artigos que custam mais de 2 mil”, disse um diplomata ocidental que visitou as lojas há vários anos, em declarações à CNN.

Mas em que estão relacionados os artigos de luxo com as armas nucleares?

É que os lucros obtidos no negócio do luxo poderiam ser canalizados para um programa ilegal de armas nucleares norte-coreano. Em princípio são, confirmou agora a investigação da NK PRO.

Eles ganham muito dinheiro nessas lojas luxuosas ao vender todos esses bens e aplicam esse dinheiro nas suas prioridades, como o programa nuclear e de mísseis. As vendas de bens de luxo ajudam a construir mais mísseis e materiais nucleares” disse à CNN Kim Kwang Jin, um fugitivo da Coreia do Norte que ajudou a financiar importações ilícitas para o país.

As lojas de luxo fazem parte do Office 39, uma organização partidária secreta norte-coreana, relata Kwang Jin. “A organização controla as lojas de departamento e todos os melhores hotéis e indústria de serviços em Pyongyang”, disse a mesma fonte, acrescentando que o dinheiro obtido é canalizado diretamente para o Office 39. Não se sabe ao certo quanto dinheiro é obtido.

Se há sanções, como é que vão lá parar os artigos de luxo?

Whisky, jóias, perfumes, saxofones e relógios da marca Montblanc estão entre alguns dos muitos e variados artigos sancionados mas que estão à venda. Um comunicado da Compagnie Financière Richemont SA, a empresa proprietária da marca Montblanc, citado pela CNN, garante que a marca não faz transações com países sancionados nem vende produtos da marca na Coreia do Norte.

As importações referidas podem estar ligadas a atividades não autorizadas e/ou envolver produtos falsificados e/ou em segunda mão”, pode ler-se no comunicado.

A investigação da NK PRO aponta quatro possíveis origens dos artigos de luxo vendido na Coreia do Norte. A China apresenta-se como uma hipótese lógica por ser o maior parceiro comercial e, historicamente, o aliado mais próximo. Mas existem ainda outros três países, Singapura, Malásia e Rússia que são possibilidades devido aos vínculos comerciais de menor dimensão, e foram até apontados por especialistas da ONU ao Departamento do Tesouro dos EUA.

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