A Comissão Europeia alertou esta terça-feira que a pressão sobre os preços da energia poderá agravar-se com a chegada do inverno, defendendo que a União Europeia (UE) combine medidas de apoio imediato com redução da dependência dos combustíveis fósseis.

“Todos sentimos estes custos [energéticos] mais elevados. As empresas estão sob forte pressão, as pessoas têm dificuldades em pagar as suas contas e esta situação poderá agravar-se à medida que nos aproximamos do inverno”, disse a líder do executivo comunitário, Ursula von der Leyen.

Intervindo num debate no Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, sobre a próxima reunião do Conselho Europeu marcada para meados deste mês, a responsável apelou: “Temos de agir agora para proteger aqueles que mais precisam e para garantir que saímos desta crise mais fortes do que entrámos nela”.

Para tal, “temos de enfrentar os problemas estruturais”, acrescentou. De acordo com dados divulgados na ocasião pela presidente da Comissão Europeia, desde o final de fevereiro os preços do gás aumentaram 140%, enquanto os preços do gasóleo duplicaram.

Ao todo, os combustíveis fósseis importados têm custado à UE mais 100 mil milhões de euros desde o início da guerra com o Irão causada pelos ataques norte-americanos e israelitas.

“No curto prazo, precisamos de apoiar os Estados-membros para responderem à pressão imediata, mas, a médio e longo prazo, temos de continuar a enfrentar os problemas estruturais que nos deixam expostos à volatilidade dos mercados estrangeiros de combustíveis fósseis”, elencou a responsável.

Von der Leyen defendeu, desde logo, uma resposta imediata e direcionada à crise energética, adaptada à situação de cada Estado-membro.

Entre as medidas, apontou o apoio aos setores industriais mais expostos através de um quadro temporário de auxílios estatais e o apoio às famílias mais vulneráveis: “O apoio tem de ser direcionado e não podemos distribuir apoios indiscriminadamente”.

Do lado da oferta, destacou o acordo do G7 para libertar 100 milhões de barris de gasóleo e petróleo bruto, além de uma maior flexibilidade para os exportadores no cumprimento das regras sobre metano.

Ursula von der Leyen anunciou também um diálogo estratégico sobre as refinarias europeias, para reduzir custos e garantir os fornecimentos necessários, incluindo para a defesa, e um novo grupo de trabalho para agregar a procura de energia e avançar para compras conjuntas.

A médio e longo prazo, a presidente da Comissão defendeu a redução da dependência dos combustíveis fósseis e a sua substituição por eletricidade limpa produzida na Europa.

Para isso, apelou ao avanço do pacote europeu para as redes elétricas, salientando a necessidade de ligar à rede a capacidade renovável atualmente à espera de conexão, e defendeu o aumento da eletrificação da economia, com o objetivo de duplicar até 2040 a atual parcela da eletricidade no consumo final de energia.

A intervenção antecede a reunião do Conselho Europeu de meados de outubro, na qual os chefes de Estado e de Governo dos 27 deverão debater, entre outros temas, a situação económica e energética da UE.

A crise energética agravou-se com a subida dos preços dos combustíveis fósseis e a perturbação das rotas de abastecimento.

Apesar da pressão sobre os preços, Bruxelas não vê um risco imediato para o abastecimento energético no próximo inverno, dada a diversificação das fontes e o reforço das reservas.