Venezuela

Luisa Ortega Díaz: “Continuo a ser a procuradora-geral da Venezuela”

Opositores ao regime juntam-se nas críticas a Maduro, com Ortega Díaz a não aceitar a destituição. Entretanto forças armadas procuram rebeldes que atacaram o Forte de Paramacay e fugiram.

Pelo menos 123 pessoas morreram na Venezuela nos protestos violentos contra Nicolás Maduro, que se intensificaram desde 1 de abril

RONALDO SCHEMIDT/AFP/Getty Images

Destituída no passado sábado pela recém empossada Assembleia Nacional Constituinte, Luisa Ortega Díaz afirmou, este domingo, que continua a ser a procuradora geral da Venezuela, num encontro intitulado “Em defesa da Constituição”, onde se reuniram opositores ao regime venezuelano que enfrenta, por estes dias, forte contestação nas ruas e que, este domingo, travou um ataque militar a um forte no centro do país.

Venezuela. Assembleia Constituinte afasta procuradora-geral Luísa Ortega Díaz

“Continuo a ser a procuradora geral de todos os venezuelanos. Aqui não há Governo; a Constituinte não votou nada, e as provas estão no Ministério Público”, disse Ortega Díaz, apontando para a “ilegitimidade” da Constituinte, que já motivou várias manifestações (esta segunda-feira é dia de nova marcha, mas desta vez de apoio à Assembleia Nacional Constituinte, que começará pelas 10h00 (15h00 de Portugal)).

Nesse mesmo encontro, que está a ser noticiado como um “ato contra o regime”, estiveram reunidas várias vozes opositoras ao regime como Julio Borges, presidente do Parlamento, Henrique Capriles, duas vezes candidato à presidência da Venezuela, o deputado chavista Eustoquio Contreras, o vice-presidente e dirigente do partido Vontade Popular, Freddy Guevara, e a ex-provedora de Justiça Gabriela Ramírez.

Julio Borges aproveitou o momento para pedir explicações sobre o ataque ao Forte de Paramacay, em Valencia, ocorrido na madrugada de sábado para domingo. “Queremos saber a verdade, não nos venham com a história da carochinha, não nos venham com uma caça às bruxas, não venham culpar quem quer simplesmente a alcançar uma democracia na Venezuela.”

Maduro diz que travou sublevação militar. Duas pessoas morreram

No seu programa semanal “Domingos com Maduro”, o presidente da Venezuela disse não ter dúvidas que os responsáveis pelo ataque foram os Estados Unidos (Miami) e a Colômbia, recusando tratar-se de uma rebelião militar e pedindo pediu pena de prisão máxima para quem participou no ataque.

Eles atacam com terrorismo e ódio. Nós atacamos com nosso trabalho, nosso amor. Eles destroem, nós construímos”, disse Maduro.

10 atacantes fugiram e estão a ser procurados, diz Maduro

Do grupo de 20 homens armados e vestidos com fardas militares que atacaram o forte de Paramacay, em Valencia, no centro da Venezuela na madrugada de sábado para domingo, 10 conseguiram fugir levando com eles uma parte das armas, com ajuda de um tenente. Estão a ser procurados “ativamente” pelas Forças Armadas, segundo informou Maduro, que disse saber para onde foram.

A investida — travada pelas forças armadas — foi liderada pelo capitão retirado da Guarda Nacional, Juan Caguaripano, que divulgou um vídeo a anunciar a sublevação contra o governo de Nicolás Maduro, “para restaurar a ordem constitucional”, sublinhando não se tratar de um golpe de Estado. O capitão Caguaripano tem estado associado a iniciativas rebeldes. Em 2014, o Tribunal Militar já tinha dado ordem de detenção a Caguaripano pela alegada participação num plano para derrubar Maduro. E desde então tem andado fugido.

Maduro já veio dizer que não se tratou de um golpe militar, antes um ataque terrorista pago, explicando que muitos dos homens eram civis e “só um é um tenente desertor há vários meses, que foi capturado e está a colaborar ativamente com informação”, afirmou o chefe de Estado. Do ataque resultaram dois mortos, um ferido e sete pessoas foram detidas.

Depois do ataque, Maduro ordenou que fossem passadas em revista todas as unidades militares do país e afirmou, no mesmo programa, que “quem tiver armas contra a República, terá uma resposta contundente”.

Mesmo antes de Maduro falar, já as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas da Venezuela — a polícia militarizada do regime que conta, segundo o ABC, com 2.000 generais (por comparação com os 900 dos Estados Unidos) — tinham dito que o ataque não se tratava de um golpe militar, imputando à oposição o ataque cometido por “delinquentes civis envergando fardas militares”.

Mas há quem diga que este ataque não passou de uma encenação para justificar novas detenções por parte do regime, como escreve o El Mundo.

Dois autarcas condenados a 15 meses de prisão nas últimas duas semanas

Este golpe de domingo foi apenas mais um episódio a somar à tensão que se tem vivido na Venezuela, onde o ambiente está de cortar à faca.

Nas últimas duas semanas, por permitirem manifestações anti-regime — que se têm multiplicado desde 1 de abril –, dois autarcas foram condenados a 15 meses de prisão. O jornal El País escreve mesmo que 80 autarcas da oposição estão “na mira” de Maduro, num artigo em que refere não só estas duas condenações como também lembra os 14 autarcas indiciados pelo mesmo motivo. E onde recorda o caso do autarca de Caracas, Antonio Ledezma, que está em prisão domiciliária.

Também no domingo, em Valência, morreu o secretário do partido de esquerda Avançada Progressista, Ramón Rivas, depois de ter sido atingido por um tiro, que, segundo fontes locais, teria sido disparado pelas forças de segurança, contra uma manifestação opositora, na Avenida Bolívar. Aliás, a oposição já disse que continuará a manifestar-se ainda esta semana.

Pelo menos 123 pessoas morreram na Venezuela, nos protestos violentos contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro, que se intensificaram desde 1 de abril.

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