PSD

Santana rejeita ser PS-2 e diz que Costa está a “acender uma velinha” para Rio ganhar

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Santana Lopes diz que o candidato preferido de António Costa é Rui Rio e diz que quer que Passos Coelho seja seu conselheiro. O candidato rejeita ser o "PS-B" ou o "PS-2". Prefere ser o "PSD 1".

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A campanha de Santana acabou com as suas duas imagens de marca: a ligação a Sá Carneiro e a recusa de viabilizar um Governo minoritário do PS. Na Maia, terra do líder da maior distrital do PSD, Santana reiterou a ideia que o candidato preferido do líder do PS à liderança do PSD é Rui Rio. No último discurso da campanha, Santana afirmou que ao ouvir Rui Rio, “António Costa pensa: Estou safo!” Horas antes, em Viseu, o antigo primeiro-ministro tinha dito que ao ouvir Rui Rio a dizer que viabilizará um Governo minoritário do PS “António Costa está a acender uma velinha” para que o portuense ganhe as diretas deste sábado.

Santana Lopes voltou a falar numa “clarificação estratégica” e disse que não quer “o PSD subjugado ao PS”, admitindo apenas acordos pontuais de regime. A grande diferença face a Rui Rio, que quis voltar a marcar no fim da campanha, é essa rejeição de dar a mão ao PS nos próximos anos:”Não nos subjugamos. Não queremos ser o ‘PS-B’ não queremos ser o ‘PS-2’. Somos o PSD 1.”

Santana Lopes adverte que Costa sabe que — se o ex-autarca do Porto ganhar — “tem a vida resolvida para os próximos anos” porque sabe: “Ou governo com a frente de esquerda ou governo com o PSD”. O candidato sugeriu aos militantes: “Ponham-se no lugar do próprio [Costa] e pensem quem ele prefere”. Santana disse ainda que “era o que faltava” que o PSD fosse chamado a suportar o Governo em caso do Bloco de Esquerda e do PCP baterem com a porta.

Na reta final, Santana continuou a piscar o olho ao Passismo. Desde logo, colocou-o como um dos três grandes presidentes do partido ao lado de Sá Carneiro e Cavaco Silva. No último discurso, Santana confessou que faz “tenções, de aproveitar sempre a palavra de sabedoria de Passos Coelho, o seu conselho sensato e a sua disponibilidade permanente, de uma base constante, de um educação refinada e praticamente inigualável“. Pouco antes, em Viseu, já tinha dito que queria Passos como conselheiro, destacando que se tornou um “bom amigo” do ainda líder do partido.

Santana diz que está a ser alvo de ataques porque está a crescer: “Sempre que uma onda laranja se agiganta, eles soltam os cães“. Um outro ponto que Santana fez questão de destacar nos últimos dois discursos de campanha é que nunca criticou o Ministério Público. O candidato lembrou que mesmo no tempo em que vários amigos seus foram alvos de processos judiciais, mais tarde arquivados, “nunca” fez “uma palavra crítica à justiça“.

“Pacheco? Era como Rajoy convidar Puigdemont para formar um partido”

Esta sexta-feira, também no distrito de Viseu, Santana tinha feito um paralelo entre os ataques lhe fazem e os que faziam a Sá Carneiro quando tinha uma disputa eleitoral no PSD. Num almoço com militantes em Lamego, o candidato à liderança do PSD lembrou que “a Sá Carneiro atiravam-lhe várias vezes à cara que queria fundar outro partido“. Sobre o convite que terá feito a Pacheco Pereira em 2011 para integrar um novo partido, Santana Lopes diz que isso era tão provável de acontecer “como Rajoy querer fazer um partido com Puigdemont“.

O candidato atirou-se ainda ao “carácter” de Pacheco Pereira por supostamente ter guardado “durante oito anos uma conversa gravíssima, mas que só a divulga na véspera das eleições”. No fim do almoço, Santana disse que no passado era um “homem livre”, uma vez que nunca foi um “homem de aparelho“. E lembrou ainda — quando lhe perguntam se teve a intenção de criar um novo partido — que “são mais os atos que são pecados do que os pensamentos”. Ou seja: mesmo que tenha pensado criar um partido, nunca o fez. De manhã, em entrevista ao Observador transmitida em direto, usara outra comparação sobre um encontro com Pacheco sobre um novo partido: “Isso era tão provável como o presidente da Coreia do Norte dizer que queria ir ao cinema com o presidente Trump”.

O candidato lembrou depois a comemoração dos 41 anos de PPD/PSD, altura em que participou em muitos eventos onde “não encontrou muitas pessoas” do chamado “grupo maravilha” (como costuma chamar ao grupo que integra Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Rui Rio, Nuno Morais Sarmento) e isto porque “estavam a fazer comícios com os adversários”, acusou.

Pedro Santana Lopes lembrou ainda que foi o grupo de Rui Rio que, em 2009, o tirou “da campanha e tirou Passos Coelho das listas de deputados”. Durante o almoço, Santana fez questão de mostrar uma fotografia, num i-pad, onde aparece ao lado de Passos Coelho. E até disse a data: “Sabem de quando é? Maio de 2011, comício em Almada, a apoiar Passos Coelho para as legislativas. Eu sei bem onde sempre estive”. E acrescentou: “O resto, como diz o meu filho mais velho, o resto é conversa.”

Santana disse ainda que, no atual contexto político, há dois líderes no poder com uma “grande experiência política”, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro António Costa. Um que é “querido dos portugueses”, pelos afetos”, e outro que goza de “um espaço de simpatia mediática que a esquerda tem sempre”. É com base neste contexto, apela Santana, que os militantes devem pensar em quem devem escolher nas diretas deste sábado.

Artigo atualizado às 20h27 com segunda ação de campanha do dia de Santana Lopes, em Viseu, e às 23h40 com a última intervenção de Santana Lopes na campanha, na Maia.

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