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Bem-vindo ao 83º K4, é o quarto desta quarta temporada da montra da cultura moderna e contemporânea da Rádio Observador. Eu sou o João Paulo Secador e como é habitual, arranco o K4 na companhia de alguém ligado ao mundo da arte e hoje estou com Cristina Azevedo Tavares, vice-presidente da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, para homenagear o grande José Augusto França, que conheceu bem. No fim, sugiro-lhe três exposições: um diário retratado por centenas de fotógrafos, um poema pintado e musicado por três artistas e um escultor que se desdobra em duas exposições. Mesmo a fechar, falo-lhe do próximo e surpreendente leilão de Banksy, que decorre já para a semana em Londres. Hoje converso com Cristina Azevedo Tavares, professora e vice-presidente da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, doutorada em História de Arte Contemporânea. Ela regressa para uma justa homenagem a José Augusto França, historiador, sociólogo, catedrático e crítico de arte, figura maior da nossa cultura, que nos deixou nem há duas semanas, com 98 anos. Olá, Cristina, e bem-haja por ter aceitado este meu convite para voltar ao K4. Bem-vinda ao Observador.

Boa noite. Gosto muito de estar aqui, sinceramente, e falar do professor França é qualquer coisa de fundamental.

Não é por acaso que a Cristina é minha convidada e quando eu lhe telefonei, adivinhou logo. Porque é filha também do artista e crítico de arte Fernando de Azevedo, que era muito próximo de José Augusto França. E além disso, o professor França foi o seu orientador, quer na tese de mestrado, quer na tese de doutoramento.

Sim, é verdade.

"Ele não é uma pessoa, é um mundo. E quanto mais o conheço, mais o admiro", dizia o Rogério Moura, editor dos livros Horizontes. É uma vida em que cabem várias vidas. Ele foi muita coisa, como já disse, crítico, acionador, historiador de arte, autor, ensaísta e editor. Que profissão melhor, Cristina, que definia este verdadeiro homem do Renascimento?

Eu penso que ele era um homem de cultura. Evidentemente que conhecemos o José Augusto de França como historiador. Realmente, ele tem um contributo notável no que diz respeito à arte portuguesa do século XIX e do século XX. Que ele, aliás, não falava em arte portuguesa, mas arte em Portugal. Era assim que ele gostava, de arte em Portugal do século XX, do século XIX, etc. Mas José Augusto de França tem realmente esse núcleo, que é um núcleo muito forte da sua obra, que é a história muito ligada à sociologia. Ele não é um historiador no sentido unívoco da palavra, mas ele é também um sociólogo e interessa-lhe particularmente os factos socioculturais. Esta ligação entre a sociedade e a cultura e todas as suas obras transpiram desta relação intrínseca que lhe vem da sua formação também em Sociologia com o Pierre Francastel e com a sua formação também em História da Arte e em História, particularmente, ambas na Sorbonne. Por outro lado, o José Augusto de França, desde muito jovem que exerceu uma atividade como crítico de arte, mesmo muito jovem. Essa atividade da observação da obra artística é algo que o acompanha durante toda a vida. Ele só fala das obras que viu, não fala das obras que não viu. E ver, para ele, era exatamente a base de todo o seu exercício intelectual como historiador, como sociólogo e como crítico. Isto era uma das dimensões mais importantes que ele procurava passar aos seus discípulos e aos seus alunos. Era exatamente uma propedêutica do ver. E penso que isto é um aspeto muito importante e que de certa maneira inova também a sua maneira de ensinar enquanto pedagogo e também historiador de arte.

Ele dizia uma coisa muito curiosa, Cristina: "Eu comecei em 46 as primeiras críticas de arte." Contava ainda em Paris como correspondente do quinzenário Horizontes, jornal de Letras e jornal da Escola de Belas Artes. Começou exatamente com aquela exposição do Portinari, que ele conheceu, e ele dizia: "Na arte, só há uma maneira de lá chegar: ver, ver, ver. Olhei mil quadros, vi mil, estudei 100, compreendi 10." Muito curioso, que ele ensinava mesmo a ver a arte, que é uma coisa muito importante. Era um pedagogo importante nisso.

Sim, esse era o lema do José Augusto de França. Ele dizia-nos isso muitas vezes.

Interessante.

Isso era mesmo importantíssimo para ele e de facto, o seu ensino, que era um ensino muito detalhado e muito cheio de histórias e de envolvências, ia muito ao objeto. Ele partia do objeto para poder enquadrá-lo, compreendê-lo, analisá-lo.

Tem outra característica extraordinária: eram os amigos dele. Cristina, eu falei do seu pai, Fernando de Azevedo, mas é impressionante. O Almada Negreiros, que ele considerava o maior gênio português do século XX, o Jorge de Sena, a Vieira da Silva. Ele dizia: "Não é portuguesa, ela foi para Paris menina. Só apareceu cá em 70 e há 20 anos já era célebre em França." Além do Fernando de Azevedo, Antônio Sérgio, Vieira de Almeida, Reinaldo dos Santos, Antônio da Costa, Antônio Pedro, a Sofia, a Malu, o Cesarino, o Eduardo Lourenço. É impressionante. Além do Roland Barthes, do André Breton, do Daniel Cohn-Bendit. O Sandro O'Neill, que era vizinho, com quem ele falava de uma varanda para a outra, por gestos. Ferreira de Castro, Miguel Torga. É impressionante a quantidade de amigos que ele tinha de várias décadas, vultos maiores da nossa cultura. E ele, mais uma.

Sim, houve muitos encontros na vida do professor França, evidentemente, encontros esses, devido à sua situação de estar em França e todas as relações que ele foi estabelecendo, porque ele também foi um homem que viajou muito. Mas, sobretudo, porque ele tem também uma vertente, que era a vertente da ligação à cidade de Lisboa. Portanto, esta "Lisboa Pombalina e o Iluminismo", que é uma obra fundamental, que tem a ver com o doutoramento dele. E depois, mais tarde, a "Lisboa: História Física e Moral", que ele publica já em 2009, a segunda edição. A primeira é 2008. Quer dizer, ele tinha muitos interesses para além daquilo que nós chamávamos, e chamamos ainda, numa visão genérica, a chamada História da Arte Contemporânea, no século XIX e no século XX. Portanto, esse interesse pela cidade, que tornou tão célebre o livro dele, "28: Crónica de um Percurso", com as fotografias do Pedro Soares. Mas depois também o interesse pelo cinema, que para ele era muito importante. Através do Charles Chaplin, "Self-Made Man", e os ensaios, e também a crítica de arte, porque os seus folhetins, as suas crónicas, no fundo, tornavam-no um homem também da crônica, do comentário, do cotidiano. Era uma figura muito abrangente. Havia uma espécie de passagem entre o historiador da arte e o sociólogo, que depois se ia ligar à crítica e a todas as inúmeras curiosidades que ele tinha. Ele era uma pessoa extremamente conhecedora também da heráldica, da História de Portugal, era extraordinário falar com ele sobre isso. E depois, além disso tudo, era um escritor. Ele era um romancista.

Ficcionista.

Escreveu poesia também, escreveu peças de teatro.

Contos. É verdade. É impressionante.

Portanto, é uma figura global, digamos assim, que atravessa um conjunto de áreas e isso permitiu estabelecer relações.

Falou na Lisboa pombalina e na arte em Portugal do século XIX, são dois clássicos dele. É engraçado que ele foi desafiado por Frank Anstey, um francês que o desafiou exatamente para estudar a Lisboa pombalina, para fugir um bocadinho ao barroco, que já estava muito visto. E então ele passou estes quatro anos de doutoramento em Paris. E ele próprio dizia: "Eu defendo muito o Pombal como historiador, é o grande exemplo do português, que ele recriou, não só reconstruiu a cidade, é o mito do Pombal, do trabalho". E ele defendeu na Sorbonne. Mário Soares atacou-o por isso, porque ele defendia um ditador. E uma colega francesa até lhe caiu em cima. Mas ele tornou-se muito famoso também por ter estudado a fundo esta arte em Portugal no século XIX, que saiu em 66, portanto já há mais de 50 anos, depois reeditado várias vezes, este livro tão importante. E também porque inventou este mestrado em História da Arte, na Cidade Nova. Ele fez escola, deixou marca, ele descobriu o Amadeo. Diz que Portugal tinha tratado mal o Amadeo. O Amadeo, o Rafael Bordalo Pinheiro, Almada Negreiros, foram muitos que ele, no fundo, valorizou e estudou.

Sim, e não só fez isso como divulgou. Para além de estudar, ele divulgou. Divulgou, por um lado, nestes livros mais profundos e mais detalhados, como acabou agora de referir, mas depois também havia outras coleções. A Artis, por exemplo, foi uma coleção que ele também desenvolveu nos anos 60, que era um conjunto de monografias, falava do Júlio Pomar, do neorrealismo, do António Pedro, do Amadeo, cá temos, de autores que precisavam de ser divulgados. Havia muito, na visão dele, esta questão da divulgação. E ele também foi diretor da revista Colóquio-Artes, como todas as pessoas sabem. E era, ao mesmo tempo de tudo isto, um colecionador. Um colecionador cuja coleção, evidentemente, se cruzava com a sua própria dimensão enquanto crítico de arte, porque há da parte do José-Augusto França, e toda a gente sabe isso, uma grande eleição pelo surrealismo, pelo abstracionismo. Ele também esteve ligado ao primeiro salão de pintura abstrata que foi feito em Portugal numa galeria. É um homem também que esteve no campo, fazia curadoria, que hoje assim se chama. Ele tem uma visão muito totalizante e muito englobante do que era a produção artística portuguesa e intervinha depois também na secção portuguesa da AICA, da Crítica de Arte Internacional, que foi tão importante, em que ele presidiu à AICA portuguesa durante tanto tempo e ao mesmo tempo também tinha um lugar internacionalmente. Tudo isto, naturalmente, que dá uma abrangência do professor França de uma maneira extraordinária.

Como é que ele era como pessoa? A Cristina, que privou com ele muito. Eu vi há pouco tempo, e ia sugerir às pessoas para verem este documentário, o "José-Augusto França: Liberdade Cor de Homem", que passou na RTP 2, e acho que já se deve poder ver online. Privou de próximo com ele, era grande amigo de seu pai. Como é que ele era como pessoa?

Eu tenho dificuldade em caracterizá-lo, uma vez que eu tenho uma relação de amizade muito grande com ele e portanto é difícil distanciar dessa amizade. Mas era uma pessoa com um trato difícil, não era uma pessoa fácil, muito exigente como professor e como pessoa também, uma pessoa de uma extrema exigência. Uma pessoa muito metódica, era uma das grandes qualidades do professor França, o seu método, a sua exigência de prazos para cumprir, quer fosse na faculdade, quer fosse nas pessoas que lhe entregavam os artigos que ele tinha depois que publicar. E era essa metodologia que ele tinha na sua própria vida, esse rigor, que lhe permitia aproveitar todo o tempo do dia para fazer múltiplas tarefas, que a nós nos parecem impensáveis, mas que ele dividia sistematicamente e podia, sim, desenvolvê-las. E isso era algo que ele passava também muito a todos nós, que éramos mais jovens e que estávamos no início de um trabalho e que realmente ele tinha uma metodologia e uma sistematização extraordinária, o que era muito irritante para muitas pessoas. Portanto, havia aqui um confronto logo à partida. Era esta capacidade enorme de trabalho, mas em que tudo era pensado com estratégia.

Acho que ele era também um homem à frente do seu tempo. Eu estou a pensar agora na parte da ficção, até da ciência, tem a ver com ele, que ele era membro da Academia das Ciências. Mas, por exemplo, na ficção, já falámos da parte do seu lado cinéfilo, que ele era colaborador dos Cahiers du Cinéma, por exemplo. Na ficção, aquele primeiro romance, "Natureza Morta", que editou em 49, ele traz escrito em Angola, logo que chegou, onde ele viveu em Angola um ano, tinha 23 anos. Foi o primeiro romance a criticar a colonização. Fernando Namora e Urbano Tavares Rodrigues gostavam muito dele, gostavam muito deste romance, tem prefácio de Jorge de Sena e de Eduardo Lourenço. Foi apreciada, mas acabou por ser tirada das livrarias por ameaças de censura. Como ficcionista e como escritor, acha que ele realmente era também um grande talento?

Sim, eu acho que sim, que ele é um talento. Eu gosto muito de dois livros que ele escreveu, que não são de ficção, que é as memórias do ano 2000 e a memória após 2000.

Exatamente. Sim, já neste milénio.

Onde ele revela algumas situações pessoais. E ao mesmo tempo, permite-nos exatamente compreender essa abrangência, que no fundo poderia ser entendida como a antecipação do seu próprio tempo.

E ele é incrível, porque ele tem agendas e guardou esse diário desde 46, tudo o que faz, tudo o que encontra.

Ele contou-me essa história. Ele só perdeu uma agenda na vida, dos anos 50. Eu creio que é de 1952, mas não posso ter a certeza absoluta. Creio que é essa, porque ele guardava todas as agendas e com isso conseguia fazer as suas memórias.

Claro. E ia dizer que ia contar, a propósito disso e das memórias dele, desses livros que gosta dele, em particular.

Sim, o José Augusto França, no fundo, nessas memórias, acaba por nos dar também uma espécie de história, de crônica da vida portuguesa. E há um lado dele que nós não podemos esquecer, que eu penso que exatamente esse romance, a "Natureza Morta" revela, que é um lado muito de contestação ao regime português. Em que o França esteve sempre também nessa esteira. Aliás, ele estava proibido de lecionar aulas em Portugal durante o Estado Novo e, portanto, só conseguiu ser integrado na universidade e felizmente que até foi através da Nova que ele pôde exatamente lançar o mestrado em História da Arte. Foi o primeiro mestrado que existiu em Portugal com uma intensidade na arte contemporânea, porque isso não existia no ensino das universidades portuguesas, também há que referir esse aspecto. E de facto, é de notar esta capacidade de lutar por um ideal, porque no fundo ele sempre lutou por uma sociedade democrática, por um Estado que é uma república, verdadeiramente. E muitos dos seus estudos e o seu percurso também têm a ver com esta atitude antifascista, digamos assim, que se manifesta numa certa adesão ao Partido Socialista, que ele demonstra em várias situações. Como todos sabemos e que são importantes, e hoje na Assembleia Nacional eu estive com os meus colegas que puderam estar presentes na sessão exatamente de homenagem do José Augusto França, através de um voto feito pelo Governo.

Muito merecida. A arte é a minha grande vocação, dizia ele. E portanto, os portugueses não têm memória, dizia, têm saudades, têm mais sentimento que conhecimento. Era um homem extraordinário. Uma última palavra, em 30 segundos, Cristina. Que homem foi este? Que legado é que fica para a história?

Fica o legado enquanto um homem que inventa e que desenvolve a história da arte e que a estudou e que revela uma série de nomes que não existiam, quer dizer, que não eram conhecidos, que ninguém sabia quem eram. O Almada, o Columbano, inclusivamente, o Amadeu, que foi tão importante para a terceira geração modernista, que só o conhecia muito mal. E o acompanhar também de um conjunto de gerações que ele compreendeu muito bem. Por outro lado, ele também era um colecionador e grande parte da sua coleção pode ser vista hoje em Tomar.

Acabou por doar.

No Núcleo de Arte Contemporânea, ele doou.

Uma ideia do Marcelo Rebelo de Sousa, exatamente, em 2004.

Doou uma grande parte da sua coleção, como também existem alguns quadros ainda, algumas obras no Museu Nacional de Arte Contemporânea.

Exatamente, que ele escolheu doar à doação.

Mas portanto, tudo isso faz parte do mesmo homem.

Incrível, uma grande história. Infelizmente, nós não temos tempo para mais. Cristina, acho que ficou aqui esta merecida homenagem a este grande homem, que também conheceu o próximo e portanto quero-lhe agradecer muito a sua presença, bem-haja, pela sua disponibilidade em mais uma vez voltar ao Observador. Obrigado e até breve.

Obrigada a todos. Muito obrigada.

E agora no K4 deixo-lhe três sustões: um diário retratado por centenas de fotógrafos, um poema pintado e musicado por três artistas e um escultor que se desdobra em duas exposições. Até 27 de novembro, no Núcleo Central do Tagus Park, está patente "Diário de uma Pandemia". É uma grande exposição organizada pela Associação Cultural CC11, envolvendo mais de 130 fotógrafos e fotojornalistas sobre o período inicial da pandemia. Inclui quatro módulos: Everyday Covid, Retratos de Portugal pelas agências de notícias, Dias da Pandemia na Imprensa Nacional e Claro e Escuro, com o olhar crítico e intimista de Luísa Ferreira. A exposição tem o apoio do Tagus Park, da Casa da Imprensa e da Canon Portugal. Paralelamente, decorrem visitas guiadas com autores e editores e será lançado o livro Everyday Covid, com um debate oportunamente. Até 14 de novembro, no Pavilhão Branco, uma das galerias municipais de Lisboa, situada no Museu da Cidade, ao Campo Grande, pode ver "Um Estranho Aqui Cheguei", uma exposição que estabelece uma articulação entre o trabalho dos artistas Pedro Calapés e Alexandre Conrey, e desenvolve-se em torno do poema de Wilhelm Müller, Winterreise, A Viagem de Inverno. Este poema, que em 1827 foi musicado por Schubert, caracteriza-se por um conjunto de reflexões de um viajante amargurado no inverno, em torno dos encontros inexistentes nas suas relações afetivas. No Pavilhão Branco, já sabe, no Campo Grande, terça a domingo, das 10h às 18h. E Rogério Timóteo tem duas exposiçõesA decorrer até ao fim de outubro. Entre o sagrado e o profano, seis esculturas de grandes dimensões expostas junto à Igreja Matriz de Santa Maria da Devesa, em Castelo de Vide, e esculturas no Portana Cidadela Art District de Cascais. São mais duas das mais de 40 exposições individuais do escultor sintrense, famoso pelas suas esculturas com figuras humanas em mármore, instaladas em rotundas e outros espaços públicos. Na Cidadela, é de terça a domingo, das 11 às 19h. E quem não se lembra do caso sensação do quadro de Banksy retalhado em pleno leilão a 5 de outubro de há três anos? É verdade, em 2018, a obra do mais famoso street artist do mundo, chamada "Girl with Balloon", "Rapariga com Balão", em português, autodestruiu-se parcialmente em público e em direto, depois de ter sido vendida por 1,2 milhões de euros na Sotheby's londrina. Agora, o que restou do trabalho vai outra vez a leilão. "Girl with Balloon" mostra uma menina a preto e branco a tentar alcançar um balão vermelho em forma de coração e foi arrematada no leilão da Sotheby's por 1,2 milhões de euros. Mas assim que esta venda aconteceu, um triturador de papel escondido na moldura do quadro foi ativado, destruindo parcialmente esta obra de Banksy. Na altura, a metade inferior da pintura ficou cortada em tiras, algo a que a leiloeira britânica se referiu como o momento da história mundial da arte instantânea. Agora, os colecionadores da arte vão ter a oportunidade de possuir este pedaço da história da arte contemporânea. A obra parcialmente retalhada, que desde então foi rebatizada de "Love is in the Bin", "O Amor está no Lixo", em português, voltará a ser leiloada já a 14 de outubro em Londres. Espera-se que possa render entre quatro a sete milhões de euros. Uma grande diferença em relação ao preço de venda original. Antes do dia D, a peça de Banksy será ainda exibida nas sucursais da leiloeira, em cidades como Hong Kong, Taipei e Nova Iorque. Logo a seguir ao incidente, digamos assim, há três anos, o street artist britânico confirmou que a leiloeira londrina desconhecia os seus planos e revelou que a obra original deveria ter sido totalmente destruída, mas que o sistema instalado na moldura do quadro falhou. Nos ensaios, funcionou sempre, contou Banksy num vídeo. Pois é, agora algum colecionador de arte rico e sortudo poderá tornar-se no novo dono da icônica obra. Bom, a não ser que o artista britânico faça outra vez das suas. É tudo por hoje. O 83º K4 fica por aqui. Bom fim de semana e boas exposições. Eu sou o João Paulo Sacadura, conto consigo no próximo K4, aqui na Rádio Observador.