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Um tribunal indiano foi chamado a decidir numa questão de vida ou de morte, literalmente. É que a família e os discípulos de um dos líderes espirituais mais ricos da Índia não chegam a acordo sobre se Shri Ashutosh Maharaj está morto ou apenas num profundo estado de meditação. O caso arrasta-se há meses e já se transformou numa batalha judicial.

A mulher e o filho do guru, escreve o The Telegraph, afirmam que Maharaj morreu em janeiro, na sequência de um ataque cardíaco, e querem cremar o corpo. Mas do outro lado da barricada estão os discípulos e apoiantes do líder, que recusam a cremação por garantirem que o espiritista permanece vivo, mas num profundo estado de meditação que, dizem, representa o caminho necessário para a realização pessoal.

“Sua Santidade está em profundo estado de meditação desde 29 de janeiro de 2014”, lê-se num comunicado divulgado no site da ordem religiosa Divya Jyoti Jagrati Sansthan. E um dos assessores vai mais longe: “Ele passou muitos anos a meditar nos Himalaias debaixo de temperaturas negativas, não há nada de anormal nisso”, diz ao correspondente do Telegraph em Nova Deli. “Voltará à vida assim que se sentir capaz; até lá, é nosso dever assegurar que o seu corpo é preservado”, acrescenta.

Até à decisão judicial, o corpo tem-se mantido numa grande arca congeladora, num quarto guardado num retiro de mais de 100 hectares em Numahal, na cidade de Jalandhar, onde apenas alguns médicos e anciãos da ordem estão autorizados a entrar.

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Shri Ashutosh Maharaj foi (ou é) fundador da grupo religioso Divya Jyoti Jagrati Sansthan (DJJS), criado em 1983 com o objetivo de tornar o mundo num lugar onde “cada indivíduo se torna uma encarnação da verdade, da fraternidade e da justiça através da ciência eterna da realização pessoal”. O grupo tem atualmente milhares de seguidores em todo o mundo e detém dezenas de propriedades ao longo da Índia, dos EUA, da América do Sul, a Austrália, Médio Oriente e Europa, num património avaliado em mais de 100 milhões de libras (o equivalente a perto de 123 milhões de euros).

As autoridades locais começaram por confirmar a sua morte, mas, depois de o Tribunal Superior se pronunciar sobre o caso, vieram dizer que se tratava de uma questão espiritual e que, como tal, os seguidores do guru não podiam ser forçados a acreditar que estava morto.

Perante este impasse, a família do líder espiritual hindu entrou com uma ação judicial para pedir uma investigação detalhada às circunstâncias da morte e para, posteriormente, serem autorizados a avançar com a cremação do corpo. Para os familiares, os apoiantes de Maharaj apenas se recusam a entregar o corpo como forma de manterem o controlo do império financeiro do guru.