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O aumento de impostos será uma das questões que vai marcar o conselho nacional do CDS, que reúne esta segunda-feira em Lisboa, para analisar o resultado das eleições europeias. O aumento de impostos que o Governo já fez e o que ainda pode vir a fazer.

A ala crítica do presidente do partido, o Movimento Alternativa e Responsabilidade, quer confrontar Paulo Portas com o aumento de impostos pós-Vítor Gaspar em que considera que o CDS tem “responsabilidades acrescidas”.

“Não é admissível um aumento de impostos numa altura em que já devia haver alternativas. Todo o ónus de encontrar uma solução que não seja aumento de impostos recai sobre o CDS”, afirmou Filipe Matias Santos ao Observador, referindo-se, nomeadamente, ao aumento do IVA, anunciado pelo Governo em maio. “Agora, Paulo Portas é vice-primeiro-ministro e António Pires de Lima ministro da Economia”, afirmou, acrescentando que, se o líder do CDS não explicar isto, “pode-se concluir que o anterior ministro das Finanças tinha feito bem e o resto [a crise política de julho de 2013] foi uma encenação”.

Paulo Portas, por seu lado, já fez saber no domingo que vai aproveitar a intervenção inicial no conselho nacional para fazer uma avaliação das “questões políticas” suscitadas pelo chumbo de três normas orçamentais pelo Tribunal Constitucional (cortes nos salários do setor público acima dos 675 euros, a alteração do cálculo das pensões de sobrevivência e a aplicação de taxas de 5% sobre o subsídio de doença e de 6% sobre o subsídio de desemprego).

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No sábado, em resposta aos jornalistas, em Lisboa, o vice-primeiro-ministro considerou que este acórdão do Tribunal Constitucional terá consequências “sérias” e remeteu para mais tarde uma “opinião definitiva” sobre o assunto, afirmando que iria reler o acórdão e ouvir conselhos. “Acho que as consequências do acórdão do Tribunal Constitucional são sérias. Eu ainda estou a relê-lo. Pedi outras opiniões, vou ouvir conselhos e, quando tiver uma opinião definitiva, obviamente falarei. Mas quando tiver toda a informação – o que ainda não é hoje”, disse, apenas.

Mas a reunião do conselho nacional será também para analisar os resultados nas eleições europeias, em que o CDS, em coligação com o PSD, perdeu um dos dois lugares que tinha em Bruxelas. A coligação PSD/CDS obteve 27,7% dos votos, enquanto o PS teve 31,5%.

Contactado pelo Observador, Filipe Anacoreta Correia, que no último congresso do CDS apresentou uma moção global de estratégia alternativa à de Paulo Portas, afirma estar preocupado com a perda de representatividade do partido mas só vai pronunciar-se na reunião de segunda-feira à noite.

Pedro Pestana Bastos, que já pertenceu à comissão política de Portas e agora encabeça uma lista de críticos à concelhia de Lisboa do CDS (que vai a votos na quinta-feira), já veio recordar que era contra a coligação e teria sido melhor o CDS não a ter feito. “Infelizmente tinha razão. Se o CDS tivesse apostado numa lista própria com um discurso europeu diferenciado do PS e do PSD seria bom para o CDS, para o Governo e para a coligação”, escreveu no Facebook.

A coligação pré-eleitoral com o PSD nas legislativas de 2015 poderá ser discutida, embora o assunto não esteja, para já, no topo da agenda, nem da direção, nem dos críticos. Passos Coelho disse no conselho nacional do PSD que deverá haver em breve decisão sobre a matéria, mas o CDS não tem pressa.

Pedro Pestana Bastos anota que depois dos resultados eleitorais várias vozes vieram sugerir um bloco central, dada a dispersão de votos nos pequenos partidos. “Está a ser criado um caldo para PSD e PS avançarem para um bloco central. Pela minha parte, defenderei que o CDS deve ficar de fora dessa solução”, defendeu.

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