“É a melhor praia daqui”.

Pedro Luz estica o braço e aponta em volta. Ele é suspeito, vive perto da Praia do Surf há oito anos, mas é indesmentível, o cenário é idílico. “Tem duas barreiras de recife, quando a maré baixa ficam várias piscinas, água muito quente, vêem-se muito peixes”.

A praia fica no município de Lauro de Freitas num bairro chamado Vilas do Atlântico. “Aqui era um condomínio fechado, que foi construído há 20 anos pela Odebrecht, para os engenheiros que vinham dar apoio ao complexo petroquímico”. São mansões, muitas com piscina, “casas muito grandes, e, de repente, começou a haver um interesse de fora também”. Algum comércio começou a instalar-se, o condomínio foi aberto e hoje é um dos pontos principais de gastronomia e compras na região. Vivem em Vilas (como é conhecida a zona) cerca de 16 mil pessoas. “Tem mais pessoas só aqui que em Peniche inteiro!”.

A expressão denuncia-lhe a origem. Pedro Luz nasceu em Peniche há 31 anos. Há cinco e meio trocou Londres, onde trabalhava num restaurante, pela Bahia. Veio com a mulher, brasileira do Sul, de Sta. Catarina, e os dois sócios, um italiano e um sérvio/inglês. No final de 2009 abriram um restaurante em Vilas, o Allsaints Mediterrâneo, “gastronomia simples e tradicional, portuguesa, espanhola e italiana”. Passaram pouco mais de dois anos e abriram um segundo, Allsaints Contemporâneo. A semana passada inauguraram o terceiro espaço, Allsaints Mundi, num hotel, em Salvador, cidade. Até ao fim do ano querem abrir mais dois restaurantes no estado da Bahia. Depois o Sul do Brasil é o objectivo.

“Temos crescido a par com o crescimento do Brasil”. O estudo de mercado que fizeram antes de vir acabou por sair furado. Mas para melhor. “Falava-se em crescimento, nós previmos o crescimento, só que acabou sendo muito mais rápido do que esperávamos”. Pedro considera que o alargar da classe média nos últimos anos se sente muito, “muita gente começou a viver de uma forma mais descontraída”. Mas também pensa que dias ainda melhores se aproximam. O investimento estatal em obras de melhoramento das infra-estruturas irá ajudar num sector determinante da Bahia, o turismo. “Salvador é a primeira capital do Brasil, porém é uma cidade que ao longo dos anos foi perdendo um pouco do respeito e dos investimentos do governo. Agora começaram, desde que houve o anúncio da Copa, meio que olharam para cá e estão a começar a reconstruir. Mas a cidade perdeu bastante turismo, estão a tentar recuperar agora”.

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No que toca a obras, Pedro acredita que apenas o estádio de Salvador, “e pouco mais”, ficará pronto a tempo (o Mundial começou ontem e as obras em toda a cidade hoje continuam a ritmo acelerado).

Dia especial

Quando a selecção nacional entrar em campo no Arena Fonte Nova, na próxima Segunda-feira, dia 16, já a família de Pedro Luz lhe terá cantado os parabéns. Ditou a sorte que a Copa trouxesse Portugal até Salvador no dia do seu aniversário. Pedro vai ao estádio e acredita numa boa prenda, “a vitória. O meio a zero, como diz o Felipão, está muito bom”. Se depender do apoio, o empresário não tem a mínima dúvida que os alemães hão-de sair derrotados de Salvador pelos portugueses. “Um grupo de portugueses organizou-se e vamos esperar a seleção ao aeroporto. Depois, no dia do jogo, vamo-nos juntar novamente e vamos todos juntos para o estádio. Vai ser uma grande festa”.

A juntar a isso, nem só de portugueses se fará o apoio. “Eu vejo que o brasileiro baiano está com muita esperança em Portugal e vai apoiar. Com certeza Portugal vai jogar em casa aqui”.