A França não vencia um jogo inaugural num Campeonato do Mundo desde 1998, torneio em que venceu a África do Sul por três-zero e que acabaria por vencer. Depois disso foi um descalabro nas estreias. Em 2002, num torneio onde não marcaria qualquer golo, perdeu com o Senegal (0-1); em 2006 até chegaria à final mas voltou a tropeçar no dia 1: zero-zero com a Suíça. No último Mundial, os franceses empataram com o Uruguai (0-0) no arranque e nem sequer passariam da fase de grupos.

Vamos aos onzes. A França começou com Hugo Lloris, Debuchy, Varane, Sakho, Evra, Cabaye, Valbuena, Matuidi, Pogba, Griezmann e Benzama. Acreditava-se que Deschamps pudesse lançar Giroud e Benzema, mas o treinador gaulês preferiu um 4-3-3 clássico, ainda que as movimentações de Valbuena e Griezmann fossem tudo menos de extremos puros. Se tivermos em conta o último onze da França num Mundial — Lloris, Sagna, Gallas, Squillaci, Clichy, Diaby, Diarra, Gignac, Gourcouff, Ribéry, Cissé –, é seguro dizer que houve uma autêntica revolução francesa. As Honduras alinharam com Valladares, Beckels, Figueroa, Bernárdez, Izaguirre, Chávez, Palacios, Garrido, Espinoza, Bengston e Costly.

Nota: Problemas técnicos não permitiram que se ouvissem os hinos nacionais, o que é lamentável numa prova deste gabarito.

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A França entrou muito bem no jogo. O meio-campo é repleto de técnica, por isso não admira a troca de bola que se viu no arranque da partida. Cabaye, Pogba, Matuidi e as aproximações de Valbuena deixavam os hondurenhos à distância, a cheirar a bolinha. Foi notória a boa ligação e a dinâmica dos franceses. Tocam e movimentam rápido. Foi um belo início de jogo. As Honduras optavam por esperar pelo adversário no seu meio-campo — que remédio! — e tentavam aproveitar rapidamente o contra-ataque assim que recuperavam a bola, normalmente com um futebol mais direto.

A França insistia em atacar pela direita, por força da qualidade e andamento de Debuchy e Valbuena. Era por esse corredor que os gauleses beneficiariam de mais livres. Aos 15′, na sequência de um, batido por Valbuena, Matuidi rematou para grande defesa de Valladares para a trave. Aos 23′, foi a vez de Griezmann cabecear ao mesmo ferro, depois de um cruzamento de Evra. Já cheirava a golo em Porto Alegre. Muito…

O caldo ficou entornado pouco depois e os ânimos aqueceram. Palacios, qual guerreiro habituado à Premier League, envolveu-se com Paul Pogba e acabou por pisar o médio da Juventus. O árbitro optou pelo amarelo. Bem ou mal? O leitor decide…

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A dois minutos do intervalo, Pogba recebeu no peito já dentro da área e levou um encosto por trás de Palacios, o tal do sururu. Penálti e segundo amarelo para o hondurenho. Rude golpe para a seleção de Luis Fernando Suárez. Benzema assumiu e marcou o seu 22.º golo ao serviço da seleção gaulesa.

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O intervalo não chegaria em Porto Alegre sem que Valbuena testasse novamente Valladares de livre. O descanso chegava finalmente: a França registava 63% de posse de bola e 10-2 em remates (5-1 à baliza). So far so good para a equipa de Didier Deschamps: exibição convincente e vantagem no marcador.

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A segunda parte começou praticamente com o segundo golo dos franceses. Um passe incrível de Valbuena a rasgar a defesa descobriu Benzema no segundo poste (48′). O remate do francês encontrou o poste da baliza de Valladares, que na ressaca não conseguiu evitar empurrá-la para dentro da baliza. Foi necessário recorrer à tecnologia para ser assinalado golo. “Habemus futuro!”

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Com o dois-zero a França tirou o pé do acelerador. Na pressão, principalmente. No ataque continuava a jogar a seu bel-prazer. Dá gosto ver Pogba, Cabaye e Valbuena a divertirem-se como se estivessem no recreio da escola. Se a primeira parte já tinha sido praticamente de sentido único, esta segunda mais parecia um treino de construção de jogo e finalização.

A França voltou a marcar quando faltavam sensivelmente 20 minutos para acabar a partida. Debuchy enviou um míssil depois de um canto marcado para trás, mas a bola foi rechaçada e sobrou para Benzema, que, de um ângulo complicado, chutou com violência para o três-zero.

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O apito final chegaria sem que houvesse mais golos. A França voltava assim a vencer numa jornada inaugural de um Campeonato do Mundo, algo que, como dissemos, não acontecia desde 1998. Mais: os gauleses não venciam um jogo para um Mundial desde aquela meia-final contra Portugal em 2006.

Esta seleção não pode contar com Ribéry mas continua bem recheada de valores. O ouro está, definitivamente, no meio-campo, onde Pogba e Valbuena se passeiam sem pudor. Jogar à bola é com eles. A defesa não foi testada, mas a experiência de Evra, o andamento de Debuchy, a força de Sakho e a qualidade de Varane prometem um quarteto interessante na hora do aperto. O ataque ficou entregue ao homem do Real Madrid. Benzema foi a figura do jogo com dois golos e meio e está lançado na corrida para melhor marcador da prova. Já lá vão quatro bis no Mundial…