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Já vão 43 golos. Sim, quarenta e três bolas que, em 14 jogos, acabaram no destino. É muito golo. São perto de três por encontro, se arrendondarmos as contas. E o Mundial bem pode estar agradecido à Península Ibérica: as duas partidas em que Portugal e Espanha estiveram envolvidos deram dez golos à prova. Os dois hermanos, aliás, ficaram com quatro e cinco golos sofridos. Agora, na terça-feira, a fatura goleadora da primeira jornada pode aumentar — ainda aí vêm os russos e os belgas.

Escrito de outra forma, o Brasil começa finalmente a ver o 10.º e o 14.º melhores ataques da zona europeia de qualificação para este Mundial. Com 20 e 18 golos, a Rússia e a Bélgica prometem aumentar a conta e, pela frente, terão uns argelinos e sul coreanos sedentos por evitarem o rótulo de equipa mais fraca do Grupo H. O tal que teve de esperar até ao sexto dia de Mundial para entrar em campo. O mesmo que também volta a ver os anfitriões da prova.

Após inaugurar a competição em São Paulo, na quinta-feira, o ‘Brasiú’ — dizer em voz alta, com o devido sotaque — vai parar agora em Fortaleza para defrontar uns mexicanos que não falham um apuramento para os oitavos de final de um Mundial desde 1994. E quem ganhar fica já com a pré-reserva do bilhete para sair da fase de grupos. Veremos se o tempo de repouso fez bem a uma seleção brasileira que, no jogo inaugural, dependeu muito de Neymar e pouco da inspiração coletiva para se desviar dos obstáculos que a Croácia lhe criou.

Bélgica — Argélia, às 17h

Aí estão eles. Doze anos volvidos, um Mundial volta a ter um lado belga. E que lado. Desta vez há Eden Hazard, Romelu Lukaku, Axel Witsel, Kevin de Bruyne ou Steven Defour. Isto só para apontar uns quantos nomes que estão à mercê das ordens de Marc Wilmots, o hoje treinador que, em 2002, capitaneava a última versão da seleção belga que conseguiu chegar a um Campeonato do Mundo.

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Antes disso, o melhor que se viu da Bélgica foi um 4.º lugar, em 1986, após ser atropelada pela inspiração de um génio enraivecido, Diego Armando Maradona. Ao todo esteve em 12 das 19 edições do Mundial já realizadas. Sim, aqui há história. Pela frente terá a Argélia, seleção do magrebe africano que mistura Ghilas (Porto) e Slimani (Sporting) no ataque. É a segunda presença consecutiva do país em Mundiais, tal como o conseguira entre 1982 e 1986. Ou seja, esta é a quarta participação e no arranque enfrenta logo uma seleção que marcou 18 golos e sofreu apenas quatro durante a qualificação.

Batalhas entre belgas e argelinos pertencem a um conflito muito raro no futebol. Só aconteceu duas vezes e nenhuma deu uma vitória à equipa africana. Em maio de 2002, ninguém se chateou com o empate (0-0) que ainda surgiu no tempo em que Marc Wilmots jogava. E, em fevereiro de 2003, houve uma vitória para a Bélgica (2-0), já com Daniel Van Buyten, hoje o veterano capitão da Bélgica em campo. Agora é a vez de Eden Hazard brilhar, o tal que, em duas épocas feitas com o Chelsea, leva 30 golos e 31 assistência. Cuidado.

Brasil — México, às 20h

Trinta e oito. É muito jogo. Em número suficiente para, com um relvado pelo meio, brasileiros e mexicanos serem já uns velhos conhecidos quando é altura para dar uns pontapés na bola. A regra até diz que quem mais se ri costuma ser o escrete – que tem 22 vitórias contra as dez do México, com seis empates pelo meio. E em Mundiais, como é? Para os mexicanos, é mau.

Em três duelos, a equipa da América Central perdeu sempre e, no total, sofreu 11 golos: os últimos dois em 1962, quando Mário Zagallo, homem que treinava a canarinha em 1998, e o Rei Pelé, marcaram na vitória do Brasil que, nesse anos, seria pela segunda vez campeão do mundo. Só falta saber como será agora. E, de antemão, sabe-se já que, a haver um vencedor neste encontro, poderá também ser ele a acabar como o líder do Grupo A.

Ambas as seleções conquistaram o encontro inaugural (3-1 do Brasil à Cróacia, e 1-0 dos mexicanos contra os Camarões), mas só uma tem já um homem com atenções divididas no Mundial. Está do lado brasileiro, chama-se Neymar e, face aos dois golos que já marcou — e aos três que Müller conseguiu frente a Portugal –, estará com mais fome de baliza do que o habitual. Giovanni dos Santos, o craque à moda mexicana, também poderia estar aqui metido, não fosse a equipa de arbitragem ganesa que lhe anulou (mal) dois golos frente à seleção camaronesa.

Rússia — Coreia do Sul, às 23h

Fabio Capello. É impossível não começar este texto por este senhor. Depois de cinco troféus da Serie A, quatro da Coppa de Itália, duas Ligas Espanholas, uma Liga dos Campeões e uma Supertaça Europeia, o italiano decidiu enveredar pela vida de selecionador nacional. Em 2006 agarrou nos destinos de Inglaterra, seleção com a qual não teria grande sucesso. Em 2012 surpreendeu meio mundo e aceitou um desafio chamado Rússia, depois de esta ter ficar pelo caminho na fase de grupos – sucedeu a Dick Advoocat.

A caminhada para este Mundial do Brasil foi triunfal. Sete vitórias, um empate e duas derrotas acabariam por se traduzir na liderança do Grupo F, o mesmo de Portugal, que acabaria em segundo. As maiores figuras deste apuramento foram Kerzhakov (cinco golos em dez jogos), Kokorin (quatro/oito), assim como Fayzulin e Shirokov, por exemplo. Desapontante foi o desempenho de Dzagoev, o criativo do CSKA que espalhou magia no Euro-2012: jogou apenas 160 minutos na qualificação. Curiosidade: todos os convocados atuam no campeonato russo.

Da seleção coreana só nos ocorre escrever sobre aquele brilhante Mundial de 2002, mas a história desta equipa asiática vai muito mais além. A estreia em Mundiais aconteceu em 1954, onde foi eliminada na fase de grupos. Seguiu-se um grande jejum, que teria o seu fim em 1986. Desde o México-86 até hoje, os sul-coreanos não falharam uma edição do Campeonato do Mundo, o que, para os mais distraídos, impressiona. O melhor desempenho foi, como não podia deixar de ser, o quarto lugar do Mundial-2002. Esta seleção é treinada por Hong Myung-Bo, um homem que foi adjunto do Anzhi em 2012/13.

As duas seleções encontraram-se recentemente para um particular. Foi em novembro de 2013, no Estádio Zabeel , nos Emirados Árabes Unidos. Os coreanos até começaram a vencer com um golo madrugador de Kim Shin-Wook, mas Smolov e Tarasov acabariam por virar o marcador.