A administração do Grupo Espírito Santo sondou o Governo e a Caixa Geral de Depósitos no sentido de avaliar a possibilidade de o banco público liderar um sindicato bancário nacional que investisse no Espirito Santo Internacional e na Rio Forte, que é hoje a holding central do grupo, apurou o Observador. A tentativa mereceu, porém, a rejeição do Governo.

No Executivo, a preocupação com a situação do grupo Espírito Santo tem crescido nos últimos meses, com as sucessivas notícias de problemas e irregularidades financeiras, a que se juntou a questão da liderança. Mesmo assim, aparentemente descansado com a solvabilidade do banco, o Executivo quis demarcar-se totalmente da crise no BES e fez saber disso aos mais altos administradores do grupo. Não haverá, assim, qualquer envolvimento do sector público no Grupo Espírito Santo.

Do lado do GES, a procura de um apoio, ainda que indireto, do Estado é um sinal importante e uma viragem na estratégia de sempre da família Espírito Santo. Ricardo Salgado, agora de saída da liderança do grupo depois da pressão do Banco de Portugal, pautou toda a gestão pela recusa da entrada do Estado nos capitais do banco. Foi assim em 2008, com a crise financeira, mas também em 2011, quando a entrada da troika obrigou vários bancos nacionais a reestruturações que implicaram dinheiro público.