Ao escavar uma pilha de ossos com 430 mil anos, numa gruta nas montanhas do norte de Espanha, um grupo de investigadores já descobriu mais de 6.500 ossos de, pelo menos, 28 indivíduos diferentes. Os 17 crânios descobertos, apesar das semelhanças com os neandertais, parecem pertencer a uma espécie ou subspécie anterior, revelou um estudo publicado esta quinta-feira na Science.

Os ossos foram retirados de Sima de los Huesos (abismo de ossos, em português), uma fenda onde possivelmente depositavam os mortos, localizada nas montanhas de Atapuerca – sítio arqueológico classificado de Património Mundial da Humanidade pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Os indivíduos apresentam uma série de características comuns com os neandertais (Homo neanderthalensis) – dentes e mandíbulas fortes e um nariz projetado para a frente. Aliás, são os fósseis mais antigos a apresentar estas características. No entanto, não têm um montículo de ossos na parte posterior do crânio comum a todos os neandertais, explica o comunicado de imprensa.

Neanderthal skull from the Sima de los Huesos cave in Sierra de Atapuerca, Spain

As mandíbulas e dentes fortes são uma característica distintiva – Javier Trueba/Madrid Scientific Films

A especialização na mastigação apresentada tanto por neandertais e como pelos espécimes pré-neandertais agora descobertos separa este grupo dos restantes hominíneos (subfamília a que pertence o homem moderno), considera Juan Luis Arsuga, investigador no Centro Misto UCM-ISCIII de Pesquisa sobre Evolução e Comportamento Humano em Madrid, e restante equipa responsável pela investigação. “Achamos que se deve ao facto de usarem a boca como ‘terceira mão’ ou por usarem os dentes da frente para agarrar e puxar coisas”, diz o investigador ao The Guardian.

Ainda, os 17 crânios analizados eram distintos dos de Homo heidelbergensis, espécie contemporânea e descrita anteriormente no mesmo sítio arqueológico, segundo o The Washington Post.

Mais tarde, na linhagem dos neandertais, o cérebro evoluiu e aumentou de tamanho, ao mesmo tempo, mas não da mesma maneira, que o cérebro de Homo sapiens (homem moderno). O novo grupo de hominíneos encontrado em Sima de los Huesos vem mostrar que na evolução do homem havia várias espécies aparentadas entre si, que provavelmente competiam para sobreviver.