Enganou o triste fado da favela brasileira graças a Zeca Pagodinho, de quem acabaria amigo. Depois foi roadie de Chico Buarque. Agora é professor de dança de Neuer, Schweinsteiger, Robben e Ribéry. Esta é a incrível história de Tiba, um carioca que virou amuleto da sorte da seleção germânica.

“Eu estava indo para o caminho das tentações, das drogas. A dança e o Zeca Pagodinho me tiraram das ruas”, começou por dizer à Folha de S. Paulo. O destino juntou-os quando Tiba foi flanelinha (arrumador de carros) em frente à casa de espetáculos Asa Branca, onde Zeca Pagodinho atuava. O artista deu-lhe a mão e aí começaria uma relação de amizade.

“Sempre que podíamos, dávamos uma força para ele, que chegou a se apresentar em alguns dos meus shows e até participou de um de meus DVDs. Que bom que ele soube aproveitar. Fico feliz em ver o trabalho dele sendo reconhecido”, disse o artista ao mesmo jornal.

E assim foi. Tiba passou então a aparecer em programas da televisão brasileira e chegou a roadie de Chico Buarque. Quem ficou fã foi Rafinha, o lateral direito do Bayern, que o convidaria para ir até Munique. O carioca passou a ser o braço direito do jogador brasileiro e acabou a dar aulas de dança a Neuer, Schweisteiger, Robben e Ribéry.

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Schweinsteiger, Tiba e Neuer numa praia em Bahia (imagem retirada do Facebook oficial de Manuel Neuer).

“Ensino-os a ficarem mais soltos em campo e a fazerem coreografias na hora dos golos”, contou à Folha, assegurando que recebe 200 euros por aula. De professor passou a amigo. Neuer vai casar e, garante, convidou-o para a cerimónia. Não estranhou, por isso, vê-lo com uma camisola do Bayern a circular junto à concentração da seleção alemã dias antes da Copa começar. O dançarino foi até à praia com Neuer e Schweinsteiger, onde dariam uns passos de samba e lepo-lepo. É sempre um bom exercício imaginar os sérios alemães a soltarem a anca e a deixarem o chão a ferver.

Tibúrcio, como lhe chamava Zeca Pagodinho graças à música “Tibúrcio mestre-sala”, troca mensagens no Whatsapp com os craques como quem fala com os amigos. E a verdade é que a seleção de Joachim Löw começa a suspirar por ele. Vejamos: Tiba esteve presente no quatro-zero a Portugal e na vitória contra os Estados Unidos (1-0) — sempre com convites oferecidos pelos jogadores; o carioca esteve ausente no empate contra o Gana (2-2) e aí, pelo sim pelo não, Neuer cobrou a presença do brasileiro em Recife para o duelo com a Argélia, mas sem sucesso: os alemães voltariam a passar mal e precisariam do prolongamento para vencer uma valente e corajosa Argélia.

Então e o seu Brasil? É que alemães e canarinhos poderão encontrar-se nas meias-finais. “Os caras estão de palhaçada. Parece que não vestem a camisa. Até agora, não provou nada, só deu raiva”, afirmou, mostrando-se mais afeto à equipa europeia. Os alemães vão agora defrontar a França nos “quartos”, no Rio de Janeiro. Como vai ser, Tiba?