As empresas em Portugal preveem investir em média mais 2,4% este ano, depois da contração de 4% em 2013, embora esta intenção seja apenas manifestada pelas unidades com mais de 250 e, sobretudo, mais de 500 trabalhadores, divulgou nesta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com as intenções manifestadas pelas empresas no inquérito de conjuntura ao investimento de abril de 2014 (com período de inquirição entre 1 de abril e 30 de junho), o investimento empresarial deverá apresentar uma taxa de variação nominal de 2,4% em 2014, que compara com a perspetiva de um crescimento de 1,1% verificada no inquérito de outubro de 2013.

Os resultados deste inquérito apontam ainda para uma redução de 4% do investimento em 2013, o que representa uma revisão em alta face às perspetivas reveladas no inquérito anterior (variação negativa de 8,3%), sendo que foram as empresas do primeiro escalão (com menos de 50 pessoas ao serviço) que registaram o único contributo negativo para a variação do investimento em 2013, com um decréscimo de 19,2%.

Entre os objetivos do investimento previsto, destaca-se um aumento dos pesos relativos do investimento associado à substituição e à racionalização e restruturação.

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Segundo o INE, o crescimento da formação bruta de capital fixo (FBCP) em 2014 deve-se ao contributo positivo (de 4,1 pontos percentuais) das empresas pertencentes ao quarto escalão (500 ou mais pessoas ao serviço), em resultado de uma variação de 10,7% e, em menor grau, das empresas do terceiro escalão (entre 250 e 449 pessoas ao serviço), com um crescimento de 6,2% (contributo de 0,8 pontos percentuais).

Já as empresas de menor dimensão, incluídas nos primeiro e segundo escalões, apresentaram contributos negativos (-2,3 pontos percentuais e – 0,1 pontos percentuais respetivamente) para a variação do investimento em 2014, com taxas de variação de -12,3% e de -0,5%, respetivamente.

Entre os objetivos do investimento previsto, destaca-se um aumento dos pesos relativos do investimento associado à substituição e à racionalização e restruturação, sendo que a importância relativa do investimento orientado para a extensão da capacidade produtiva diminuiu, embora permanecendo como o objetivo mais referido.

O autofinanciamento continua a ser a principal fonte de financiamento para o investimento das empresas inquiridas, representando 71,4% e 70,6% do total em 2013 e 2014, respetivamente.

Em 2013 e 2014, para o total das atividades, a extensão da capacidade de produção manteve-se como o principal objetivo do investimento (com um peso de 39,6% na média dos dois anos), seguindo-se o investimento de substituição (37,0%).

Já os objetivos racionalização e reestruturação e outros investimentos representaram 9,7% e 13,7% do total do investimento empresarial na média dos dois anos, respetivamente.

Do inquérito do INE resulta ainda que o autofinanciamento continua a ser a principal fonte de financiamento para o investimento das empresas inquiridas, representando 71,4% e 70,6% do total em 2013 e 2014, respetivamente, com “particular relevância” nas secções de atividades de informação e de comunicação (97,1%), de eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio (94,4%), de atividades financeiras e de seguros (91,5%), de indústrias extrativas (90,1%), de atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares (85,2%) e de comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos (81,3%).

De acordo com o instituto, de 2013 para 2014 observa-se uma “ligeira diminuição” da percentagem de empresas com indicações de limitações ao investimento, que passa de 58% para 57,4%.

Relativamente às expectativas de criação de emprego resultante do investimento realizado ou a realizar, a maioria das secções apresentou saldos de respostas extremas positivos.

O principal fator limitativo do investimento empresarial identificado pelas empresas nos dois anos analisados foi a deterioração das perspetivas de venda (51,8% e 52,6% em 2013 e 2014, respetivamente), seguindo-se a incerteza sobre a rentabilidade dos investimentos (18,3% e 18,4%) e a dificuldade em obter crédito bancário (10,8% e 9,9%).

Nos dois primeiros casos registou-se um aumento do peso relativo entre 2013 e 2014, tendo-se reduzido a percentagem de empresas que refere a dificuldade de obter crédito bancário, o nível da taxa de juro e a capacidade de autofinanciamento como principais fatores limitativos.

Relativamente às expectativas de criação de emprego resultante do investimento realizado ou a realizar, a maioria das secções apresentou saldos de respostas extremas positivos, sendo que, de 2013 para 2014, o saldo de respostas extremas para o total das atividades aumentou.