O presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) criticou hoje a “incoerência do discurso” do presidente da TAP, que atribuiu metade dos cancelamentos nos últimos dois meses à falta de pessoal, pedindo que as responsabilidades sejam assumidas.

“No decurso do tempo, [o presidente da TAP] tem vindo a mudar as razões pelas quais a operação está degradada”, afirmou o presidente do SPAC, Jaime Prieto, adiantando que “primeiro foram os atrasos na entrega dos aviões, depois as ‘dores de crescimento’ e agora a falta de pessoal”.

Em declarações à Lusa, Jaime Prieto sublinhou que o SPAC alertou em janeiro para a falta de pilotos para responder ao reforço da oferta da TAP, que culminou com o lançamento de 11 novas rotas em junho e julho, considerando que “a continuidade desta linha da ação foi opção única e exclusiva da administração”.

“Queremos saber até que ponto é que será a dimensão da sua responsabilidade. Não podemos continuar num país de brandos costumes em que se pode fazer o que ser quer e não são apuradas responsabilidades”, declarou o sindicalista.

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O presidente do SPAC lamentou que a administração, liderada por Fernando Pinto, tenha feito “ouvidos moucos” aos sucessivos alertas do sindicato, tendo continuado “até ao colapso”.

Numa carta enviada na segunda-feira aos trabalhadores e a que a Lusa teve acesso, Fernando Pinto diz que, “dos voos cancelados, 226 (48%) deveram-se a falta de pessoal navegante e 119 (25%) a causas técnicas”.

“Ao contrário do que se tem dito, este agravamento não tem, no essencial, relação com o reforço da rede da TAP”, rejeitando que o lançamento novas rotas seja uma das principais causas para a elevada percentagem de cancelamento de voos.

O presidente da TAP explica que “o sucedido foi objeto de profunda análise” e, “com a transparência habitual”, partilha as conclusões com os trabalhadores.

“Aumento dos cancelamentos por motivos técnicos, em especial na frota A330 e Fokker 100, entrada tardia em operação dos novos pilotos devido a atrasos na sua formação, greve de zelo decretada pelo SPAC [Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil] e atraso na entrega de novos aviões”, enumera Fernando Pinto.

O presidente da TAP refere ainda a “influência negativa na operação de maio/junho de diversas situações fora” do controlo da companhia, “como foi o caso de greves de controladores de tráfego aéreo na Europa, de um A330 que ficou retido em Belém, de problemas com os terminais de bagagens em Londres”.

A TAP cancelou 468 voos entre 01 de junho e 30 de julho, o que equivale a uma taxa de cancelamentos de 2,3% nos últimos dois meses.