A TAP vai adquirir mais um avião de médio curso, acelerar o processo de substituição da frota da Portugália e formar mais uma turma de pilotos para evitar perturbações semelhantes às dos últimos dois meses. “Olhando já para o futuro imediato foi decidida a formação de uma turma adicional de pilotos, a aquisição de uma aeronave A320 para servir de reserva no verão de 2015, acelerar o processo de substituição da frota da PGA”, adiantou o presidente da TAP, Fernando Pinto, numa carta enviada segunda-feira aos trabalhadores, a que a Lusa teve acesso.

Na mesma comunicação, a TAP divulgou que cancelou 468 voos entre 1 de junho e 30 de julho, o que equivale a uma taxa de cancelamentos de 2,3% nos últimos dois meses. Com o objetivo de melhorar a capacidade de resposta da transportadora, acrescentou, a administração decidiu “ainda reprogramar os voos de forma a minimizar os impactos nos passageiros e prolongar o fretamento de dois aviões A320 até ao final de agosto”.

Em cima da mesa, continua a “possibilidade em aberto de contratar um avião de longo curso para reforço imediato da frota, se necessário”. Outra medida decidida foi o reforço do ‘stock’ de componentes por forma a dar melhor suporte e agilidade aos trabalhos de manutenção, acrescentou.

Fernando Pinto realçou que ainda há “muito trabalho pela frente neste verão”, agradecendo “a todos pelo enorme esforço que têm desenvolvido”. “Tenho a consciência de que existem problemas internos que devem ser analisados conjuntamente, mas continuo convencido de que é internamente, com o reforço do diálogo, que podemos encontrar as formas mais adequadas de solução para a empresa e para os trabalhadores”, salientou o gestor.

No próximo sábado, os pilotos da TAP vão fazer uma greve de 24 horas para contestar o agravamento das condições de trabalho e obrigar o acionista Estado a receber os sindicatos para se discutir a situação da empresa. O presidente da TAP atribui 48% dos 468 voos cancelados em junho e julho à falta de pessoal navegante, rejeitando que o elevado número de cancelamentos esteja relacionado com o aumento das rotas.

“Ao contrário do que se tem dito, este agravamento não tem, no essencial, relação com o reforço da rede da TAP”, adiantou, quando em julho, em entrevista à Lusa, apontou as “dores de crescimento” como uma das principais causas para a elevada percentagem de cancelamento de voos.