Um novo ensaio clínico quer perceber se é possível, ou não, os cães detetarem com precisão o cancro da mama através de amostras com base na respiração de uma pessoa. Caso os resultados sejam positivos, mulheres com elevado risco de terem a doença poderiam respirar para um tubo que seria, então, inalado por cães treinados, diz o Telegraph.

O ensaio vem na sequência de cientistas terem descoberto que os animais são altamente precisos na deteção de outras formas de cancro. Os cães, que trabalham no Medical Detection Dogs, já antes mostram resultados na descoberta de cancro da próstata — os dados foram publicados no British Medical Journal, entre outras publicações de renome. Além disso, apresentam uma taxa de sucesso que corresponde a 93% tendo em conta amostras de urina.

Agora, seis animais vão ser treinados para tentar detetar cancro da mama no novo ensaio que já está em curso. Os quatro melhores vão seguir em frente e vão ter acesso a amostras de 1500 mulheres. Nos testes são usados labradores e spaniels, estes que, caso descubram amostras positivas, devem ficar a olhar intensamente para elas.

Claire Guest, psicóloga britânica especializada em comportamento animal e fundadora do Medical Detection Dogs, disse ao Telegraph: “É lógico que os cães consigam detetar cancro da próstata, da bexiga e o renal em amostras de urina, mas a deteção de cancro da mama na respiração é algo diferente. Realmente não sei o que vamos encontrar. É uma questão que precisa de ser respondida”.

Daisy, a cadela que “cheirou” o cancro

A ligação de Claire Guest ao melhor amigo do homem não é recente.  Numa noite fria de fevereiro, em 2009, Claire foi passear os cães. Abriu a mala do carro para que os animais saíssem do veículo. O cocker spaniel e o yorkshire terrier, de um amigo, saltaram carro fora e correram em direção ao parque. Daisy, um labrador ruivo, recusou-se a sair.

Ao invés, a cadela agarrou-se ao peito da dona. “Ela bateu várias vezes contra o meu corpo”, explicou Claire ao Daily Mail, que, então, empurrou o animal para longe. Mas sem efeito. “Ela empurrou-me com tanta força que me magoou. (…) Senti a área onde ela me tinha empurrado e, durante os próximos dias, descobri um pequeno nódulo”.

A insistência da cadela foi feliz:  feitas as análises, foi descoberto um nódulo inofensivo no peito da dona, mas também um cancro muito profundo. A doença foi descoberta bastante cedo graças ao animal de estimação. Caso contrário, quando o caroço fosse visível, seria tarde de mais. “Este cancro ter-se-ia espalhado e o meu prognóstico poderia ter sido muito diferente”, recordou Claire ao jornal britânico. Daisy salvou-lhe a vida.

Passados cinco anos, a cadela é responsável por ter cheirado cerca de 6 mil amostras de urina, sendo que detetou mais de 500 casos de cancro. Também ela “trabalha” no Medical Detection Dogs.