Francisco Moita Flores renunciou ao mandato de vereador que tinha na Câmara Municipal de Oeiras. A decisão foi confirmada ao Observador pelo próprio, que, no entanto, se escusou a mais comentários. Desde que tomou posse, em outubro, Moita Flores só participou numa reunião camarária e pediu a suspensão do mandato por quatro vezes, por um período total de nove meses.

A renúncia ao mandato terá dado entrada no município entre o fim de julho e o início de agosto, pelo que apenas constará das atas das reuniões camarárias em setembro, com o retomar da atividade normal da câmara.

Francisco Moita Flores, eleito pelas listas do PSD, apenas participou na primeira reunião de câmara depois da tomada de posse do novo executivo municipal. Foi a 22 de outubro. A 13 de novembro, pediu a primeira de quatro suspensões, por um período de sessenta dias, tendo feito o mesmo a 15 de janeiro e a 18 de junho. A estes, soma-se um pedido de suspensão de noventa dias apresentado a 26 de março. Exceptuando a suspensão de janeiro, todas as outras foram justificadas por “razões da [sua] atividade literária”. Moita Flores lançou em junho o romance “Segredos de Amor e Sangue” e tem-se dedicado, nas últimas semanas, a viajar pelo país a promovê-lo.

No global, Moita Flores teve o seu mandato suspenso durante 270 dias e tinha a intenção de continuar a não exercer, pelo que, antes do fim do ano, ultrapassaria o limite legal de 365 dias a partir do qual uma suspensão passa a ser considerada renúncia.

A substituir Moita Flores fica Ângelo Pereira, que já assumia o lugar do escritor durante as suas suspensões de mandato. Pereira é o único vereador do PSD com pelouros executivos. Era o quarto das listas do partido na candidatura ao concelho, onde o PSD apenas elegeu três pessoas, que, no entanto, não quiseram assumir pelouros.

Segundo Ângelo Pereira, que é também líder da concelhia do PSD, em novembro “foi aprovado por unanimidade” por esse órgão uma moção onde se defendia “que vereadores eleitos têm de assumir as suas responsabilidades”. Em fevereiro, o pedido foi reiterado em assembleia concelhia de militantes do partido. Para Ângelo Pereira, é “natural” que Moita Flores tenha renunciado, “visto que ele se candidatou a presidente e não foi eleito”.

Por seu turno, Marcos Sá, vereador do PS, diz-se preocupado. “Vejo com apreensão estas candidaturas que, perante uma derrota, se vão embora”, comenta, referindo o seu próprio caso de derrotado nas eleições e que, ainda assim, diz “ter a humildade democrática para apresentar as ideias defendidas na campanha”. “É um bom motivo de reflexão para os partidos”, remata.

Francisco Moita Flores foi inspetor da Polícia Judiciária durante 12 anos e começou a publicar obras literárias em 1985. Em 2005 candidatou-se, nas listas do PSD, à Câmara Municipal de Santarém, que venceu, quebrando uma liderança socialista no concelho de 30 anos. Em 2009 voltou a vencer as eleições, mas não cumpriu o mandato até ao fim, tendo sido convidado no início de 2012 a encabeçar a candidatura do PSD a Oeiras. Ali, não conseguiu repetir o feito de Santarém e ficou-se por um segundo lugar, a 14% do vencedor, Paulo Vistas.

A terceira eleita do PSD à Câmara Municipal de Oeiras, Eduarda Matos Godinho – que era, até julho, provedora da Santa Casa da Misericórdia daquele município – também já pediu por quatro vezes a suspensão do mandato de vereadora, a primeira das quais logo na reunião imediatamente a seguir à tomada de posse. Ou seja, esta vereadora não tomou ainda parte em nenhuma das 22 reuniões de câmara que já houve desde 15 de outubro. Segundo Ângelo Pereira, Eduarda Godinho já deverá participar nas reuniões de setembro.