Já muitos tinham tentado, por isso Garry Kasparov foi condescendente com as primeiras jogadas do adversário que tinha pela frente no torneio da Intel Grand Prix: um computador Pentium 166 Mhz, com o programa “Chess Genius”. E no entanto aconteceu em Londres, a 31 de agosto de 1994. O dia em que um programa de computador derrotava, na primeira volta, o campeão mundial de xadrez.

A derrota daquele que muitos consideram o melhor jogador de xadrez de sempre fez correr tinta nos jornais, e a frustração de Kasparov era inversamente proporcional à de Richard Lang, o britânico que programou o “Chess Genius”.

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©Lodi News Sentinel

Na partida, cada jogador tinha 25 minutos para mover as peças e até cinco minutos para cada jogada (modalidade “blitz”). O resultado final foi de 1.5 – 0.5 e empurrava demasiado cedo Garry Kasparov, o campeão do mundo, para fora do torneio. O Pentium chegou até às semi-finais e perdeu com o jogador indiano Anand.

A vingança serve-se fria e, um ano depois, Kasparov teve a desforra. Mais uma vez num torneio da Intel Grand Prix, desta vez na Alemanha, e com o mesmo resultado, 1.5 – 0.5. Mas com a constante evolução tecnológica, as vitórias dos computadores sobre os humanos foram deixando cada vez mais de ser notícia para se tornarem a norma.

O primeiro título de campeão do mundo foi ganho por Kasparov em 1985, tornando-o na altura o campeão do mundo mais jovem de sempre, com 22 anos. E até ao ano 2000 ganhou quase tudo o que havia para ganhar. O novo milénio trouxe computadores cada vez mais avançados, mas não só. 

Em 2004, o russo participou noutra partida curiosa, desafiado por um norueguês de 13 anos chamado Magnus Carlsen e, para surpresa geral, Kasparov não conseguiu mais do que um empate com o miúdo. O russo deixou xadrez profissional em 2005. No ano passado, o mundo conheceu um novo campeão do mundo de xadrez com apenas 22 anos. Chama-se Magnus Carlsen.

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