O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, considerou esta terça-feira um “erro” pensar que atenuar a disciplina orçamental gerará crescimento na Europa.

Violar as regras orçamentais com a expetativa de estimular o crescimento económico “é um erro, não encontraremos o caminho”, insistiu Schauble, ministro das Finanças da chanceler Angela Merkel, durante um discurso aos deputados no Bundestag, camara baixa do Parlamento alemão que hoje começou a debater o projeto de Orçamento de Estado para 2015.

“Não podemos comprar empregos e crescimento com dinheiro público”, adiantou o ministro, “e isso também não ajuda o Banco Central Europeu porque este faz o que pode, mas não pode impor o crescimento, como se vê atualmente”.

Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a taxa de juro diretora para 0,05%, um novo mínimo histórico, e anunciou que vai lançar um programa de compra de dívida privada para apoiar o mercado de crédito e dinamizar a economia da zona euro, anunciou o presidente da instituição, Mario Draghi.

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Draghi referiu que o pacote de compra de ativos do BCE inclui também créditos hipotecários em euros emitidos por instituições financeiras da zona euro, mas não precisou o montante deste programa de compra de ativos, que deverá ser lançado a partir de outubro.

“Queremos garantir que estes títulos ABS (asset-backed securities) vão servir para que o crédito chegue à economia real”, afirmou Draghi.

Draghi disse também que será difícil chegar a uma inflação próxima dos objetivos do BCE só com base na política monetária. “É preciso crescimento”, considerou. “São precisas medidas orçamentais e sobretudo reformas estruturais”, apontou.

A abundância de liquidez só se traduzirá em investimento e crescimento se os Europeus inovarem e adotarem as reformas estruturais muito defendidas pela Alemanha, mas respeitando os princípios orçamentais, defendeu Schauble.

“Nós provámos que uma política orçamental sólida era a melhor política para o crescimento e o emprego”, declarou o ministro conservador, que apresenta um orçamento federal para 2015 com défice zero, pela primeira vez desde 1969.

O equilíbrio orçamental “não é um fim em si mesmo, mas sim o sinal de que podemos contar com nós próprios, é a única maneira de manter a confiança”, defendeu, adiantando que a “a confiança é primordial para investidores e consumidores”.

“Cumprir as promessas implica também respeitar as regras europeias, toda a gente deveria respeitar as regras europeias, porque decidimos em conjunto”, precisou o ministro, criticando implicitamente os apelos na Europa para uma maior indulgência em relação aos que não cumprem as regras orçamentais.

Entretanto, Schauble está a refletir, em concertação com o homólogo francês, Michel Sapin, sobre “propostas comuns para criar melhores condições de investimento (privado), a nível nacional e na Europa.

Os dois ministros querem apresentar as propostas numa reunião de grandes empresários europeus em Milão no sábado.

Segundo o jornal alemão Süddeutsche Zeitung, a pedra angular do plano dos dois ministros seria uma redinamização do mercado de ABS (asset-backed securities).

Os títulos ABS permitem a um banco transacionar os créditos que concedeu através de uma revenda. Esta prática, acusada de ser em parte responsável pela crise norte-americana do ‘subprime’ de 2008, foi largamente abandonada na Europa.

MC // VC

Lusa/Fim