A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) irá disponibilizar até dezembro o novo medicamento para a hepatite C, aos 100 a 150 doentes que se prevê que durante o próximo ano possam vir a estar em risco de vida devido ao agravamento da infeção, escreve o Público. A prioridade será dada aos doentes com cirrose hepática e com as funções do fígado muito descompensadas.

Trata-se de uma solução transitória, vigente apenas enquanto decorrem as negociações entre o regulador do medicamento e a indústria farmacêutica para encontrar um preço que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) possa pagar pelo tratamento. Em Portugal, o Sofosbuvir, nome do fármaco do laboratório norte-americano Gilead Sciences, custa 48 mil euros por três meses, pelo que com mais de metade dos doentes a necessitarem do triplo do tempo de terapêutica, tal representaria 150 mil euros por tratamento.

Em julho, o ministro da Saúde já tinha considerado o preço do medicamento “totalmente imoral”. “O Infarmed está a autorizar tudo o que são casos de ‘life saving’ [para salvar vidas]. E o que queremos é ter uma estratégia concertada com outros países que também não aprovaram o medicamento e que são a maioria. Para tentar baixar [o preço], porque obviamente o preço é totalmente imoral”, afirmou Paulo Macedo, que, na mesma intervenção, sugeriu uma aliança de vários países para tentar reduzir o preço dos novos medicamentos para a doença. Uma ideia reiterada ontem pelo presidente do Infarmed, Eurico Castro Alves, durante o seu discurso no âmbito das comemorações dos 35 anos do SNS. No entanto, e apesar de Portugal já se ter juntado há alguns meses a outros países europeus para tentar diminuir o preço do medicamento, ainda não foram alcançados os resultados esperados.

Depois de serem tratados os 150 doentes em risco, o Infarmed pretende que, todos os anos, o Serviço Nacional de Saúde consiga chegar a pelo menos 1000 doentes, através das várias alternativas de medicamentos.