A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) realiza esta segunda-feira no Porto a primeira manifestação de um conjunto de protestos previstos para várias cidades do país para exigir ao Governo uma valorização salarial.

O protesto desta segunda-feira, que começa com uma concentração em frente ao Comando Metropolitano do Porto da PSP seguindo depois até à câmara municipal, vai contar também com a participação da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR).

Pré-aposentação, remunerações, revisão dos suplementos, falta de condições de trabalho e incumprimento do acordo de 2024 são os principais motivos deste conjunto de protestos que a ASPP vai organizar em várias cidades do país.

O presidente da ASPP, Paulo Santos, disse à Lusa que estes protestos têm também o propósito de “não só colocar cá para fora as reivindicações e as matérias que não estão a ser bem tratadas pelo Governo, mas também envolver os autarcas, as populações, os comerciantes, que tanto se queixam de falta de posicionamento de proximidade e de efetivos policiais”.

“Esta luta já não é uma questão só socioprofissional, mas também uma questão de segurança pública e de necessidade de reforço de efetivos e de investimento para a instituição”, disse, avançando que está a ser ponderada a realização de uma “grande manifestação nacional” depois do conjunto de protestos em sete cidades.

Paulo Santos explicou que a realização da manifestação nacional depende de “como vão decorrer as próximas reuniões com o ministro da Administração Interna”.

A ASPP foi o único sindicato da PSP que se opôs à proposta apresentada pelo ministro sobre a atribuição de um suplemento de 160 euros este ano, com retroativos a julho deste ano, e 230 euros em 2027, aos polícias que trabalham na Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras.

O presidente do maior sindicato da PSP considerou que este subsídio é necessário, mas devia ser feito no âmbito de uma reestruturação dos restantes suplementos atribuídos aos polícias, frisando ser “bastante redutor” anular os protestos apenas porque o MAI apresentou aquele subsídio.

O protesto desta segunda-feira acontece um dia antes de os sindicatos voltarem a reunir-se com Luís Neves, estando prevista para a ronda de negociações de terça-feira a apresentação de propostas sobre a reestruturação das carreiras e a organização do tempo de trabalho.

“Estas manifestações já estavam programadas ou pensadas há algum tempo porque estivemos cerca de dois anos à espera que o Governo, no âmbito do acordo que foi celebrado em julho de 2024, desse passos”, disse, salientando que têm também como objetivo pressionar o MAI a “fazer alterações profundas”.

Paulo Santos admitiu que a ASPP poderá cancelar os próximos protestos e a manifestação nacional caso exista algum avanço nas negociações com Luís Neves.

Depois do Porto estão previstos protestos em Leiria, Lisboa, Faro, Funchal, Guimarães e Ponta Delgada.