O secretário-geral da UGT assegurou na quarta-feira que a central sindical não abdica de um salário mínimo de 505 euros a 1 de outubro e exortou o Governo a tomar uma decisão sobre esta matéria, ainda que sem consenso.

“A UGT não abdica da atualização do salário mínimo para os 505 euros. E o Governo tem o dever e a competência para tomar esta decisão, mas não tem que haver acordo”, disse à agência Lusa Carlos Silva.

Quarta-feira de manhã a UGT propôs, num grupo de trabalho da concertação social, um Salário Mínimo Nacional (SMN) de 505 euros, para vigorar de outubro até ao final de 2015, abrindo mão de efeitos retroativos

Há uma semana a central sindical tinha apresentado a sua proposta de política reivindicativa que previa o aumento do SMN para os 500 euros, retroativo a 01 de julho, e para os 510 euros em janeiro de 2015.

Carlos Silva explicou à Lusa que depois de vários contactos e conversas com o Governo e com as confederações patronais, a UGT percebeu que seria muito difícil conseguir a aplicação de um aumento do SMN com retroativos, porque “os patrões não querem ouvir falar na retroatividade”.

“Se não há retroatividade, então o aumento do SMN tem de ser para os 505 euros a 1 de setembro, mas se não for em setembro que seja em outubro”, afirmou.

Segundo o sindicalista, apenas a confederação do comércio não está disponível para um aumento do SMN a 1 de outubro, só em janeiro, por isso “o governo tem de decidir”, porque “não se pode agradar a gregos e a troianos”.

Carlos Silva considerou ainda que muitas empresas possam ter dificuldades económicas e financeiras para aplicar o novo aumento do SMN em janeiro de 2015 e admitiu, por isso, que só se volte a discutir novo aumento daqui a um ano.

“Perante tantas dificuldades, a UGT está na disponibilidade de aceitar que o aumento que deverá entrar em vigor a 1 de outubro – esperamos que sejam os 505 euros – se mantenha no próximo ano”, disse.

Atualmente o salário mínimo nacional é de 485 euros e está congelado desde 2011.

Carlos Silva falou à Lusa à margem de um seminário internacional sobre negociação coletiva na Europa, que contou com a participação de vários especialistas estrangeiros, que salientaram a tendência de quebra da contratação coletiva, e da respetiva abrangência, nos últimos anos.

O líder da UGT considerou que nos últimos três anos essa quebra se acentuou em Portugal e noutros países do sul da europa devido a imposições da ‘troika’.