O ex-oligarca russo Mikhail Khodorkovski lançou este domingo um movimento cívico que tem como objetivo constituir oposição ao atual presidente da Rússia, Vladimir Putin. Denominado “Open Russia” (Rússia Aberta, em tradução livre), o movimento pretende congregar os cidadãos russos com posições pró-europeias para poder disputar as eleições de 2016 naquele país. Ao mesmo tempo, Khodorkovski mostrou-se disponível para ser presidente da Rússia.
“Não tenho essa missão pela frente”, começou por dizer ao Le Monde, no sábado, depois de uma conferência em Paris. Mas depois acrescentou:
“Se fosse necessário ultrapassar uma crise e fazer uma reforma constitucional, cuja essência seria a redistribuição dos poderes presidenciais em favor dos judiciais, parlamentares e da sociedade civil, então sim, estaria pronto a participar nessa tarefa”
A afirmação de Khodorkovski quebra a promessa que fez em dezembro de 2013 de que não se envolveria na política russa. Nesse mês, ele foi libertado da prisão e indultado por Vladimir Putin, depois de ter estado dez anos encarcerado. Em 2003, Mikhail Khodorkovski era o homem mais rico da Rússia, enquanto dono da antiga companhia petrolífera Yukon, com uma fortuna avaliada em cerca de 15 mil milhões de dólares. Só que o milionário foi ao Kremlin pedir a Putin que tomasse medidas contra a corrupção na administração da Rússia e este ter-lhe-á respondido, segundo o Le Monde, com uma pergunta: “Sr. Khodorkovski, a sua situação com as finanças está regularizada?” “Com certeza”, respondeu o agora ativista político. “Bom, veremos”, terá dito Putin. Meses depois, Khodorkovski era detido na Sibéria por evasão e fraude fiscal.
Depois de libertado, o ex-milionário, que viu todos os seus bens congelados em 2004 e teve de assistir ao desaparecimento da Yukon, decidiu autoexilar-se na Suíça, onde vive atualmente. Apesar de sublinhar que o Open Russia não é um partido político mas sim uma “plataforma”, Khodorkovski afirmou que espera que Putin “fique chateado” com a iniciativa. “Uma minoria poderá ser influente se estiver bem organizada”, comentou, acrescentando que “a ideia de que a Rússia não é Europa é uma mentira que está a ser imposta à sociedade” russa.
Khodorkovski tem ao lado ativistas seus compatriotas, alguns dos quais também se exilaram por discordarem da liderança de Vladimir Putin. O ex-empresário apoiou os protestos ucranianos que levaram à demissão de Viktor Ianukovich em fevereiro passado, mas asseverou que o que pretende para a Rússia não é uma revolução armada, mas sim um movimento que trave “aqueles que querem governar o país para toda a vida, os que querem cuspir na lei e na Justiça”.
O site do Open Russia é http://openrussia.org e, apesar de os apoiantes de Khodorkovski afirmarem que, na Rússia, ele tem sido bloqueado, pode ser consultado em Portugal.