Muda-se de casa. Chega-se a uma nova e há que mobilá-la. Escolher os armários, os sofás, tapetes e mesas. O que seja. De preferência, opta-se pelo melhor. Neste caso sem olhar a preços — são os privilégios de estar na seleção. E Fernando Santos foi espreitar ao Estoril e ao Marítimo, à casa dos únicos dois clubes que representou enquanto jogador sénior. E escolheu bem: viu muitos portugueses a jogar.
Na Madeira houve Ruben Ferreira, um lateral esquerdo bom em quase tudo o que faz, e Danilo Pereira, trinco que há duas épocas se vestiu de rubro negro para tentar renascer após o Mundial de sub-20, de 2011. Ambos deram nas vistas. Edgar Costa também, um português que joga como um brasileiro. No final, 4-0 que ao intervalo já sorria para o Marítimo — que, assim, alcançou os mesmos 12 pontos do FC Porto.
No Estoril, a equipa da casa era bem nacional, mas já não foi ela a vencer — os amarelos perderam contra um Benfica só com Eliseu. Mas dos encarnados já Fernando Santos esperava pouca coisa portuguesa. E o engenheiro terá ido à Amoreira para deitar o olho ao que homens como Yohan Tavares, Rúben Fernandes ou Diogo Amado poderiam fazer. Perderam. Algo que, no Minho, Rúben Micael, Pedro Tiba e Rafa não fizeram: foram eles que guiaram o Braga até um 3-0 sobre o Rio Ave.
Moral de tudo isto: na primeira semana em que Fernando Santos andou a ver como poderá mobilar a seleção, houve quem se destacasse e desse nas vistas. E não foram só portugueses — Kléber, um brasileiro, não marcava há quase dois anos. Fê-lo contra o Benfica, após também estar lesionado durante dez meses, e mostrou que poderá dar nova genica a um Estoril que, até aqui, ainda não honrou o dois quartos lugares consecutivos que conseguiu com Marco Silva, nas últimas duas épocas.
Foram os primeiros a emperrar um carrossel. Defenderam, correram, pressionaram e conseguiram que aparecesse o primeiro de três empates consecutivos no percurso do FC Porto nesta liga. Agora, contudo, o Vitória saiu de Guimarães para ir à Madeira e sofrer quatro golos na primeira parte — quando, até à 6.º jornada, apenas tinham deixado três bolas entrarem na sua baliza.
Mas quem lidera a corrida menos desejada é o Gil Vicente. A equipa de Barcelos já sofreu 15 golos, ainda não ganhou um jogo e continua a mostrar que, para já, parece não haver pedalada para se aguentar na primeira liga. E, no domingo, foi derrotada por um Boavista que ainda só tinha marcado um golo. Melhor, tinha sido o benfeitor de um auto-golo.
“Diziam que não marcávamos golos, hoje foram três.” Quem o disse foi Petit, homem a quem o Boavista apelou ao coração para guiar uma equipa curta, inexperiente, montada à pressa para a Primeira Liga e com um relvado artificial a servir de casa. Conseguiu a segunda vitória (3-2) contra o Gil Vicente, marcou três golos — já tinha um a favor, um auto-golo, frente à Académica. Os homens de xadrez podem ter começado a arrepiar caminho e Anderson Correa, com dois golos marcados, está a liderá-los no percurso traçado por Petit.
Sporting 1-1 FC Porto
Estoril Praia 2-3 Benfica
Sporting de Braga 3-0 Rio Ave
Boavista 3-2 Gil Vicente
Arouca 0-1 Académica
Marítimo 4-0 Vitória de Guimarães
Moreirense 0-0 Penafiel
Vitória de Setúbal 2-0 Nacional da Madeira
* o Paços de Ferreira-Belenenses joga-se na segunda-feira, a partir das 20h.
Até agora não desata: dois clássicos e dois empates. Parece que os grandes não se querem vencer. Após o empate entre Sporting e Benfica, foi a vez de os leões receberem o FC Porto e o resultado também acabar num empate. Isto significa uma coisa: enquanto nenhum dos grandes vencer outro, a luta pela liderança passará apenas pelo que conseguirão fazer diante de quem é mais pequeno. E isto também conta. E muito.