A “Revolução dos chapéus-de-chuva” está nas ruas de Hong Kong, gritando por democracia e por mais poder na hora de decidir a liderança política. O nome surgiu do enorme número de chapéus-de-chuva utilizado pelos protestantes para evitarem o gás pimenta usado pela polícia. Os confrontos estão na boca do mundo e a manchar a imagem da cidade, que era vista como um porto seguro da finança. A China até bloqueou o Instagram e Facebook, para evitar a propagação de fotografias.

Se o desejo de autodeterminação não surpreende, já um dos líderes destas movimentações não deixa de causar surpresa. Falamos de Joshua Wong, um rapaz de 17 anos, que lidera o movimento “Scholarism” e que até foi detido na sexta-feira passada, contou o Bussiness Insider.

Quem já andava de olho neste rapaz foi o jornal britânico Financial Times, que escreveu um perfil sobre o estudante segunda-feira passada, 22 de setembro. Wong é um dos responsáveis pelos protestos nas ruas de Hong Kong. Tudo porque não aceita a reforma política de Pequim, que anteriormente previa que os habitantes de Hong Kong escolhessem o seu líder. Mas a guerra deste rapaz não começou agora. O tal movimento “Scholarism” foi inaugurado em 2011, quando tinha apenas 14 anos.

Agora, está imparável: publicou um livro chamado “Não sou um herói”, tem um programa de rádio, escreve uma coluna de opinião e responde a pedidos de entrevista, conta o Financial Times (FT). “Hong Kong é uma semente de fogo… o Partido Comunista está muito assustado com este pedaço de território”, disse, em declarações à CNN.

“A reforma política é o principal problema para todas as questões. Toda a gente sabe que sob o Partido Comunista Chinês é difícil lutar por um verdadeiro sufrágio universal… mas os estudantes têm de estar na linha da frente em todos os séculos”, disse Wong ao FT.

O desassossego nas ruas de Hong Kong começou há uma semana. Chamaram-lhe uma campanha de desobediência civil e visava virar o foco para a batalha pela democracia. No mês passado, a China cedeu a introduzir o sufrágio universal — uma pessoa, um voto — para a eleição do chefe executivo, o cargo mais alto de Hong Kong. No entanto, o processo e as burocracias dificultam que seja exatamente como era prometido, explica o FT.

Wong não se deslumbra, e não acredita que Pequim mude de ideias. Mas não perde o Norte. “Nós lutamos pelo nosso objetivo sem analisar as possibilidades de sucesso. Se consideras a possibilidade de atingir o objetivo, não deves envolver-te no movimento social ou estudantil”. Bom, a verdade é que isto não se verificou, já que acabou detido durante algumas horas passados quatros dias.

Mas isto da fama não é novo para Wong. Em 2012, conta o mesmo artigo do FT, tornou-se na figura da campanha contra a intenção do governo de Hong Kong implementar um plano de “educação nacional”, que, disse então, não era mais que uma lavagem cerebral sobre o Partido Comunista. Esse movimento obrigou Cy Leung, o chefe executivo do país, a recuar. Foi a primeira vitória de Wong.

“Não é comum um estudante de 15 anos liderar um movimento civil de desobediência”, disse ao FT, confiante, revelando depois que tinha acabado de conhecer um rapaz de 12 anos que queria entrar no grupo. “Só em Hong Kong pode acontecer tal coisa. Na América ou Inglaterra ninguém espera que um rapaz de 12 anos adira a uma greve/manifestação.”

Essa campanha de 2012, que levou o chefe executivo a recuar quanto aos planos na educação de Hong Kong, juntou mais de 100 mil pessoas nas ruas. Mais: motivou momentos de tensão nas imediações da sede do governo. Na altura, Wong protagonizou um debate com Leung, o chefe executivo, e até rejeitou apertar-lhe a mão, para não dar um sinal de proximidade e de cooperação. “Ele parece um gravador e responde sempre com as mesmas palavras”, acusou na altura o rapaz de 15 anos.

A referência de Wong é Wang Dan, um dos líderes dos protestos na Praça Tiananmen, os tais que ficaram imortalizados por aquela imagem do homem a colocar-se à frente de um tanque. Mas Wong já avisou que não deseja a violência que se viu naquela praça chinesa em 1989. “Se os soldados vierem, vamos todos para casa… não queremos ver sangue”, garantiu.