Quer ir ao teatro? Compre uma revista pornográfica. Em Madrid, com a companhia teatral Primas de Riesgo, é assim. Tudo porque, em Espanha, a distribuição de pornografia está sujeita a uma taxa de IVA de 4%, enquanto a cultura paga 21%.

A partir desta quinta-feira, a companhia, que é composta exclusivamente por mulheres, começou a vender revistas pornográficas num quiosque madrileno e, com elas, vem um bilhete para assistir à mais recente peça do grupo, “El Mágico Prodigioso”, de Calderón de la Barca. É devido ao nome do autor que a campanha lançada pelas Primas de Riesgo se chama “Revistas porno 4% Calderón 21%”, no fim da qual a companhia deixará de ser uma produtora de conteúdos teatrais e passará a ser uma distribuidora de revistas para adultos.

“Quando vimos que as revistas porno tinham um IVA super-reduzido, pareceu-nos cómico e paradoxal e decidimos iniciar esta campanha, porque nos pareceu uma boa maneira de trazer para a sociedade o debate sobre o IVA da cultura”, explicou Karina Garantiva, diretora do grupo, ao jornal espanhol Público.

Num primeiro momento, as Primas de Riesgo têm apenas 300 revistas à venda, não só num quiosque de Madrid como na sua página oficial na internet. Para já, afirmam, é um “estudo de mercado”: as pessoas que comprem as revistas deverão identificar-se e assinar um documento em que confirmam estar a contribuir para uma campanha. Depois, daqui a 40 dias, logo se verá. “Se nesse período nada mudar com o IVA e conseguirmos completar todos os trâmites, transformar-nos-emos definitivamente em distribuidora de revistas porno”, disse Garantiva.