A tarde de sábado começou com o Liverpool a perder no campo do Newcastle. Depois o Sporting caiu com estrondo em Guimarães contra um gigante Vitória (3-0). O Barcelona voltou a tropeçar e perdeu desta vez em casa contra o Celta de Vigo — são já duas derrotas consecutivas. O Bayern começou a perder contra o Dortmund, mas lá conseguiu virar perto do fim. O Inter foi surpreendido pelo Parma… Este sábado de halloween estava a revelar-se uma senhora bruxaria para os grandes clubes. O FC Porto estava avisado e entrou forte.

Julen Lopetegui, pelo sim pelo não, apostou em Quintero, Óliver, Brahimi, Quaresma e Jackson. Não estava para brincadeiras. Os olhos dos dragões prometiam estar colocados na baliza rival. Ricardo Quaresma, que não era titular desde setembro (vs. Sporting), começou sobre a direita. Afinal, não havia volta a dar, era essencial vencer para roubar o segundo lugar ao fantástico Vitória de Guimarães e não permitir que o Benfica voltasse a fugir.

FC PORTO: Fabiano, Danilo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro, Oliver, Casemiro, Quintero, Quaresma, Brahimi, Jackson

NACIONAL: Rui Silva, João Aurélio, Miguel Rodrigues, Zainadine, Marçal, Boubacar, Aly Ghazal, Gooma, Rondon, Lucas João, Marco Matias

O histórico entre ambas as equipas piscava o olho à da casa: 11 vitórias em 15 duelos para a Liga. Pelo meio houve um trauma, daqueles grandes, muito grandes, quando o Nacional venceu por 4-0 em março de 2005, cortesia de Miguel Fidalgo, Alonso, Nuno Viveiros e Bruno.

Os cerca de 30 mil adeptos não esperaram muito para gritar golo. Quaresma surgiu na direita e sacou um belo cruzamento para Jackson. O colombiano cabeceou, mas Rui Silva voou e disse “não senhor”. Na recarga, com pouco ângulo, do lado direito, Danilo rematou e festejou o primeiro da noite (8′).

Seguiram-se oportunidades de Rondón e Quintero. O jovem colombiano merece finalmente a confiança do treinador espanhol. O talento da canhota é indiscutível, a visão é de alto gabarito, mas muitas vezes não resiste a driblar e perde-se. Os primeiros quinze minutos tiveram ritmo, foram bem jogados, houve intensidade. O futebol agradecia.

À passagem do minuto 20, quando o FC Porto registava 71% de posse de bola, o Nacional começou a esticar-se no terreno, já levantava a cabeça, ia perdendo o respeito. Afinal, já não havia nada a perder. Os da casa continuaram por cima e Jackson esteve muito perto do golo aos 29′: excelente trivela de Quaresma e o avançado cabeceou; valeu a grande defesa de Rui Silva. Mais uma. Mas o ritmo foi baixando. O jogo ficou desinteressante depois.

Até ao final do primeiro tempo houve apenas bons lances de Brahimi, que ofereceu a Quaresma (rematou para as nuvens), e João Aurélio. O intervalo chegaria pouco depois. Algum destaque no FC Porto? Sim, a pedalada de Danilo. Está num grande momento de forma e o golo ajuda, funciona como vento a favor.

Na segunda parte o Nacional da Madeira entrou melhor, o que levou Lopetegui a chamar Herrera quando apenas tinham sido jogados cinco minutos. Entraria para o lugar de Quintero, para oferecer mais rigor e controlo no meio-campo. Resultaria. Este segundo tempo foi ainda mais desinteressante. Valeu a pena para seguir finalmente uma exibição satisfatória do jovem prodígio emprestado pelo Atlético Madrid, Óliver Torres.

Ah! Isso e o golaço de Brahimi, que não se cansa de deixar meio mundo de boca aberta. Este homem joga muito à bola. Aconteceu aos 74′, depois de um cerco à área dos madeirenses, até que a bola chegou ao pé do argelino. O extremo trocou as voltas a um defesa e rematou colocado perto do ângulo da baliza rival. Agora Rui Silva nada podia fazer, a não ser aplaudir e deixar-se maravilhar por mais um fantástico golo deste jogador.

Até ao fim da partida pouco houve a registar. Tello entrou aos 75′ pelo autor do segundo golo da noite e esteve bem. O espanhol emprestado pelo Barcelona criou alguns problemas ao Nacional durante os 15 minutos que esteve em campo. Falta o golo para a confiança disparar. Por vezes parece trapalhão, mas tem muito talento naqueles pés. Para não falar que mais parece o Speedy González…

Apito final no Estádio do Dragão. O FC Porto soma a terceira vitória seguida e agarra-se ao segundo lugar, apenas a um ponto do líder Benfica. Algumas notas finais: Casemiro continua sem encantar e mostra que está a anos luz de Fernando; Óliver assinou finalmente uma exibição sólida; Brahimi é um craque, nem vale a pena gastarmos tinta (ou teclas). A forma como conduz a bola, como abre espaços, como vai para cima do rival, é tudo delicioso. E é um jogador com golo. Finalmente, a pedalada de Danilo e a seriedade de Quaresma, que parece mais sóbrio, comprometido, empenhado, foram os outros destaques. Este FC Porto tem tudo para crescer e ser cada vez melhor.