Em vez de amendoins ou cajú, um escaravelho. Não? De acordo com um relatório da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) das Nações Unidas, de 2013, até pode ter motivos para o fazer: os insetos podem contribuir para a diversificação da dieta e melhorar a segurança alimentar. Os grilos, por exemplo, têm mais proteínas, vitaminas e minerais do que frango, e são mais amigos do ambiente. E se estiverem dentro de uma embalagem sexy, pensaria duas vezes antes de comer?

Um estudo levado a cabo por uma universidade belga, concluiu que apenas uma em cinco pessoas, que incluem a carne na alimentação, afirmam estar “prontas” para colocar insetos no prato. “Homens mais jovens, com uma ligação mais débil em relação à carne estão mais abertos a experimentar comidas novas e interessam-se pelo impacto ambiental que podem ter as escolhas da sua alimentação”, diz o estudo, citado na Fast Company.

O assunto parece estar a marcar a tendência entre os empreendedores da área alimentar, que acreditam que os insetos ricos em proteínas podem estar prestes a fazer parte da dieta ocidental de massas. E são várias as startups norte-americanas, holandesas e inglesas que começaram a fazer negócio na área. A SexyFood é belga e escolheu uma abordagem diferente para os seus snacks de insetos e vermes. O truque está no glamour da embalagem, diz outro artigo da Fast Company.

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Latas pretas com lettering e acabamentos dourados e, em vez de nomes, números, numa homenagem ao mítico perfume francês, o Chanel N.º 5, para dar “uma sensação de mistério” ao produto, explicou Steven van Boxtel, do atelier de design responsável pelo projeto. Para quê competir com snacks do dia a dia quando poderiam apresentá-lo como uma alternativa para quem procura uma aventura?

“Na nossa cultura, não é comum comer insetos, por isso, apresentá-los como se fossem uma comida normal seria um pouco óbvio demais, e também o vê como algo nojento. A ideia era evitar este pensamento e apresentá-lo como uma experiência”, acrescentou.

À primeira vista, nada parece indicar que dentro das latas se escondem besouros ou escorpiões. E esse foi um dos objetivos da empresa: apresentar o produto não como um snack de insetos, mas como um conceito. Na loja online da SexyFood, uma lata com 12 gramas de larvas custa 7 euros. Uma lata com 10 gramas de escorpiões pretos, custa 12,50 euros.

No relatório publicado no ano passado, a FAO defendeu que os insetos são uma alternativa promissora à produção convencional de carne, tendo por base a estimativa de que, em 2050, o mundo terá 9 mil milhões de habitantes e de que é urgente procurar alternativas à produção animal.

Por cá, os insetos também estão na moda. Susana Soares é uma designer portuguesa que, em abril, lançou o projeto Insects au Gratin, para “encorajar as pessoas a comer insetos”, disse à Rádio Renascença. Como? Recorrendo a uma impressora 3D. O paté é feito com farinha de insetos, obtida través de animais desidratados, à qual se pode juntar água, manteiga ou queijo creme. Na Escola Superior de Turismo de Peniche, também já ensina a cozinhar com minhocas, grilos ou gafanhotos, produzidos em local próprio. Vai experimentar?