Facebook no trabalho. Parece-lhe bem? Até agora tem sido mais ou menos como diz ‘o outro’: “É proibido, mas pode-se fazer”. Mas isso está prestes a mudar. O Financial Times noticia, nesta segunda-feira, que a rede social mais utilizada em todo o mundo está a trabalhar secretamente numa nova plataforma para competir diretamente com a Google, a Microsoft e o LinkedIn no local de trabalho. Para que estar no Facebook deixe de parecer pecado. O nome? É simples e óbvio: Facebook no Trabalho.

O objetivo é o de tornar aquela rede social não só social, como hoje em dia é vista, mas também profissional. Será um espaço onde pode falar com os colegas, estabelecer uma rede de contactos profissionais ou partilhar documentos, tal como faz o Google Drive. Segundo o FT, a estética e muitas das finalidades serão semelhantes ao Facebook como hoje o conhecemos, nomeadamente o feed de notícias e os grupos, mas permitirá fazer uma separação vincada entre o perfil pessoal – com as fotografias das férias, os vídeos engraçados ou certos comentários políticos, de um lado – e o perfil profissional, do outro.

Com mais de mil milhões de utilizadores em todo o mundo, o Facebook procura acompanhar a evolução do mercado para não ficar reduzido a apenas um tipo de utilização. Segundo o jornal norte-americano, os funcionários da empresa Facebook já usam o produto internamente e há algum tempo que existe a discussão sobre se se deve ou não alargar a outras empresas. O projeto foi desenhado em 2013 e estará agora em fase de testes.

Mas o mais difícil vem depois. Para se tornar efetivamente parte integrante da vida profissional nas empresas e escritórios, é preciso que o Facebook consiga ganhar a confiança das várias organizações e empregadores, que associam aquela rede a uma rede social e que, por isso, podem ter receio de partilhar informação importante, sob o receio de que vá parar às mãos erradas. Várias foram as empresas em todo o mundo que, preocupadas com a quebra da produtividade dos seus funcionários, chegaram mesmo a proibir o uso do Facebook no local de trabalho.

A empresa de Mark Zuckerberg tem estado debaixo de fogo por causa da política de privacidade e pela forma como usa os dados dos utilizadores. No último ano, os esforços concentraram-se na tentativa de melhorar a reputação da companhia nessa matéria, tendo sido redefinidas as definições de privacidade. Sobre isto, o fundador do Facebook disse que as novas medidas de segurança e privacidade marcam uma “importante mudança cultural” da marca.