Manuel Dias Loureiro foi o último ministro a assumir a pasta da Administração Interna e a segurá-la do princípio ao fim. Foi no segundo mandato de Cavaco Silva, que durou os regulamentares quatro anos da legislatura, de 1991 a 1995. Mas isto já foi há 19 anos. Todos os que lhe seguiram no cargo até hoje não levaram o mandato até ao fim – quer por terem visto a legislatura interrompida por queda do Governo, quer por terem apresentado pedidos de demissão.

Antes de Miguel Macedo, que assumiu a tutela da Administração Interna em 2011 quando o Governo de Pedro Passos Coelho tomou posse, poucos foram os ministros com esta pasta que se seguraram durante os quatro anos da legislatura. Senão vejamos.

Em dois governos liderados por José Sócrates, um maioritário e um minoritário que viria a cair, houve dois ministros da Administração Interna. O primeiro foi o atual candidato socialista a primeiro-ministro, António Costa, que chegou ao gabinete quando o Governo tomou posse, em março de 2005, mas que acabou por abandonar o posto dois anos depois para se candidatar às eleições autárquicas, e para assim assumir funções como presidente da Câmara de Lisboa. Seguiu-se-lhe Rui Pereira, que ocupou o lugar vazio de Costa a meio da legislatura, em 2007, e que levou o mandato até ao final.

Rui Pereira continuou com a mesma pasta quando José Sócrates foi reeleito primeiro-ministro em 2009, mas não cumpriu os quatro anos devidos, já que o Governo socialista acabou por cair menos de dois anos depois.

Antes dos governos de Sócrates, no entanto, houve outros dois governos interrompidos: o de Durão Barroso, que terminou quando o social-democrata foi para Bruxelas em 2004 presidir a Comissão Europeia, e o de Pedro Santana Lopes, que foi empossado para preencher o vazio deixado por Durão, mas que acabou por ser dissolvido pelo presidente Jorge Sampaio apenas oito meses depois. Durante estas duas legislaturas, por isso, nenhum ministro conseguiu levar os trabalhos até ao fim. Na Administração Interna estiveram, primeiro, António Figueiredo Lopes, e, depois, Daniel Sanches.

Recuando mais no tempo, voltamos às demissões. O primeiro ministro da Administração Interna da era de Guterres foi Alberto Costa, que se demitiu em 1997, depois de cerca de dois anos no cargo, na sequência de umas declarações sobre a polícia. Seguiu-se Jorge Coelho, que assumiu a pasta em 1997, conduzindo os trabalhos no MAI até ao fim dessa legislatura, que terminaria em outubro de 1999.

No segundo mandato de Guterres, no entanto, Jorge Coelho já não foi reconduzido na Administração Interna, passando para a tutela da presidência e do Equipamento Social. Para o MAI o nome escolhido foi Fernando Gomes, que arrancou o Governo com as funções de ministro Adjunto e da Administração Interna. Mas não durou muito, tendo sido exonerado menos de um ano depois, em setembro de 2000. Como ministro Adjunto o substituto foi António José Seguro e como ministro da Administração Interna foi Nuno Severiano Teixeira.

Mas como o Governo de Guterres viria a ser interrompido em abril de 2002, quando o primeiro-ministro pediu a demissão depois de o PS ter sido derrotado nas eleições autárquicas, também Nuno Severiano Teixeira não conseguiu levar o mandato no MAI a bom porto.

Ou seja, é preciso recuar até ao último mandato de Cavaco Silva no Governo para encontrar um ministro da Administração Interna que tenha sobrevivido aos quatro anos da legislatura. Foi Manuel Dias Loureiro, que tomou posse em 1991 e exerceu funções no ministério até ao fim do mandato, em 1995.