O ex-presidente do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), António Figueiredo, o principal suspeito na operação Labirinto, tinha oito telemóveis, todos operacionais, no dia em que foi detido pela Polícia Judiciária, de acordo com o jornal Sol.

Tal terá contribuído para o facto de António Figueiredo ser, a par do empresário chinês Zhu Xiaodong, um dos suspeitos detidos em regime de prisão preventiva. Maria Antónia Anes, Jaime Gomes e Manuel Jarmela Palos ficaram igualmente em prisão preventiva, mas a medida de coação poderá ser convertida para prisão domiciliária quando forem reunidas as devidas condições.

No centro do labirinto – um esquema de corrupção que envolvia o pagamento de luvas a troco da atribuição de vistos Gold – estaria também a ex-secretária-geral do Ministério da Justiça, Maria Antónia Anes: no verão deste ano, terá recebido em sua casa António Figueiredo, o ex-diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Manuel Jarmela Palos e altos dirigentes dos serviços de informação, nomeadamente, o secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, e o ex-diretor do Serviço de Informações de Segurança, Antero Luís, segundo avançou o mesmo jornal.

As alegadas relações privilegiadas entre os citados e os serviços judiciais estarão no centro das preocupações do juiz Carlos Alexandre, que quer evitar a todo custo qualquer tipo de pressão sobre os investigadores ou interferências na investigação, especialmente nesta fase do processo.

Ainda assim, são conhecidas algumas tentativas para, alegadamente, escapar aos radares da justiça: Jarmela Palos, por exemplo, terá recebido um telefonema de alguém a informá-lo sobre a operação da PJ alguns dias antes desta se realizar, conforme conta o SOL; e António Figueiredo terá ligado ao presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Vaz das Neves, para contestar a existência deste processo, não obtendo, no entanto, qualquer resposta; em maio, o diretor do SIS, Horácio Pinto, comprometeu-se pessoalmente a proceder a uma “limpeza” eletrónica do gabinete de António Figueiredo, que suspeitava estar a ser alvo de escutas; e agora sabe-se que o secretário-geral do SIRP e o ex-diretor do SIS estão mesmo impedidos de contactar juízes e procuradores por ordem do “super-juíz”.

António Figueiredo e outras dez pessoas são suspeitas de estarem envolvidas na atribuição ilegal de vistos Gold, num esquema que envolve crimes de branqueamento de capitais, tráfico de influência e de peculato.