Cerca de cem mil norte-coreanos levaram a cabo uma manifestação em Pyongyang contra a resolução da ONU que pretende levar à justiça internacional as violações aos direitos humanos do regime, informam hoje os ‘media’ estatais.

Altos funcionários do Governo e do Partido dos Trabalhadores, militares, operários, agricultores e estudantes participaram, esta terça-feira, num incomum protesto massivo, qualificado como “declaração de guerra” à resolução das Nações Unidas, segundo descreveram a agência estatal KCNA e a televisão KCTV.

A comissão dos Direitos Humanos da Assembleia-Geral da ONU aprovou uma resolução instando o Conselho de Segurança a recorrer ao Tribunal Penal Internacional (TPI), com 111 votos a favor, 19 contra e 55 abstenções, no passado dia 18, dando um primeiro passo para julgar na sede de Haia o regime de Pyongyang por crimes contra a Humanidade.

A resolução adota um texto elaborado pela comissão, encarregada de se pronunciar especificamente sobre as violações aos direitos humanos, amplamente assente num relatório de 400 páginas da ONU que concluiu, após uma longa investigação, que a Coreia do Norte cometeu violações dos direitos humanos “sem paralelo no mundo contemporâneo”.

A iniciativa, de carácter não vinculativo, tem vindo a ser criticada pela Coreia do Norte que ameaçou mesmo realizar um novo ensaio nuclear.

Na manifestação de terça-feira, da qual esteve ausente o líder norte-coreano Kim Jong-un, os porta-vozes do Governo definiram a resolução como um “cínico produto político criado para manchar a dignidade” do país e “acabar com todo o valor do Exército e do povo”, segundo a KCNA.

Também reiteraram a sua posição de que a iniciativa da ONU responde aos interesses dos Estados Unidos, país que qualificaram como “o maior violador dos direitos humanos” do mundo.

O texto será analisado em dezembro pela Assembleia-Geral. Espera-se, porém, que se chegar, em última instância, ao Conselho de Segurança, que tanto a China como a Rússia exerçam o seu direito de veto para evitar que sejam julgadas em Haia as violações de direitos humanos do regime norte-coreano documentadas num relatório da ONU divulgado em março.

Aliás, Moscovo já qualificou de contraproducente a resolução da ONU.

O texto, produto de uma ampla investigação a partir de testemunhos de centenas de pessoas que fugiram do país, revelou provas de extermínio, assassínio, escravatura, desaparecimentos forçados, execuções sumárias, torturas, violência sexual, abortos forçados e privação de alimentos, entre outros abusos.

Também estima em 120 mil o universo de pessoas reféns em campos de trabalhos forçados em diversas zonas da Coreia do Norte.