Em 2013, oito em cada cem portugueses eram proprietários de uma empresa nascente – com menos de três meses de vida – ou nova – entre três meses e três anos e meio, diz o Global Entrepreneurship Monitor, promovido pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) e a Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI). A taxa de atividade empreendedora fixou-se assim em 8,2%, mais cerca de 86% do que tinha sido registado em 2010 (4,4%).

De acordo com a nota de imprensa enviada pelas instituições, esta subida tem acompanhado o aumento da taxa de desemprego. “Assume-se, portanto, sem surpresa, que a escassez de emprego dependente tem motivado os portugueses a tornarem-se empreendedores“, lê-se no comunicado.

A qualidade das infraestruturas físicas e dos serviços profissionais a empresas têm um impacto positivo na capacidade do país em fomentar o nascimento de novos negócios, de acordo com os peritos consultados durante o estudo. Contudo, ainda há entraves: as normais sociais e culturais vigentes no país são um detrimento à atividade empreendedora.

“A taxa TEA de Portugal tem demonstrado consistentemente valores próximos da média das economias orientadas para a inovação, sendo que, desde 2010, essa consistência é particularmente robusta”, lê-se no estudo

O setor onde se registou uma maior percentagem de atividade empreendedora, em 2013, foi o orientado para o consumidor, ou seja, onde se incluem todos os negócios direcionados para o consumidor final, com 44% dos empreendedores early-stage a optar por lançar uma empresa deste tipo. O setor orientado para o cliente organizacional, onde o cliente é outro negócio, registou a segunda maior percentagem (28%).

A maior parte dos negócios criados por portugueses são motivados pela oportunidade. São cerca de 75%. PA necessidade segue como a segunda motivação, com 21,4% dos empreendedores a enumerarem-na. Os restantes (3,5%) alegam uma combinação de motivações para a criação da empresa ou negócio.

A faixa etária com maior incidência de atividade empreendedora é a que se situa entre os 25 e os 34 anos, e tem, regra geral, um nível de formação pós-graduada, com mestrado ou doutoramento.

O Global Entrepreneurship Monitor é uma avaliação periódica da atividade empreendedora, que analisa aspirações e dificuldades dos indivíduos em mais de 70 países, englobando 75% da população mundial e 89% do PIB mundial. É o maior estudo internacional sobre dinâmicas empreendedoras.

Em Portugal, a elaboração deste relatório implicou a recolha de dados de duas fontes principais: uma sondagem à população adulta, junto de 2003 indivíduos, entre os 18 e 64 anos, residentes em Portugal continental, e uma consulta a 37 especialistas portugueses ligados ao empreendedorismo, como líderes do sistema financeiro, responsáveis governamentais, entre outros.