Ambos querem a restituição dos feriados e ambos apareceram a sorrir lado a lado esta quinta-feira, mas não mais do que isso. António Costa e Paulo Portas estiveram juntos na Fundação Gulbenkian e além da troca de impressões longe dos jornalistas, nem um nem outro falaram de política. Focaram-se, sim, no desenvolvimento global, onde mais uma vez coincidiram ao dizerem que apesar das limitações financeiras vividas na Europa é sempre possível ajudar mais e melhor os países em vias de desenvolvimento.

Chegaram juntos e saíram separados, mas nenhum falou aos jornalistas. Nem questionados sobre feriados, nem sobre as taxas e taxinhas, só o líder do PS é que parou uns segundos para dizer que fala com todas as pessoas e que por isso, naturalmente, tinha conversado um pouco com Paulo Portas. No palco, ficaram sentados lado a lado, mas quando chegou a vez de cada um falar, focaram-se no tema em debate nas Conferências de Lisboa: o desenvolvimento global.

António Costa manteve uma bandeira que ergueu no congresso do PS há uma semana e disse que o desenvolvimento está ligado à discriminação e nesse sentido, a mais importante forma de discriminação a erradicar é a que se faz contra as mulheres um pouco por todo o mundo.

Para além disto, reconheceu as atuais dificuldades económicas de muitos países considerados ricos em comprometerem-se com ajuda externa devido aos constrangimentos orçamentais, mas disse que “há outras formas”, como o envio de “recursos humanos” para países mais necessitados de forma a haver “uma cooperação mais eficaz”. Quanto à Europa, o candidato socialista a primeiro-ministro afirmou que as instituições se devem bater por uma “política externa comum em que o respeito pelos direitos humanos seja o objetivo primordial”.

Também Paulo Portas defendeu que as ajudas ao desenvolvimento “não se esgotam na ajuda pública”, que neste momento não ignorar os “constrangimentos financeiros” a que estão sujeitos muitos doadores. O vice-primeiro-ministro defende que as línguas devem ser factores de desenvolvimento, nomeadamente o português e o espanhol e que por isso “os Estados ibero-americanos devem ter visão estratégica das relações internacionais”.

O centrista alertou ainda as mudanças que estão a ocorrer no sistema internacional e que neste momento “é tão importante ou mais importante saber que país tem a nossa dívida do que quantas legiões tem um país”. Quanto à Europa, Portas diz que a UE “precisa de ganhar a paz nas suas próprias fronteiras orientais e participar no desenvolvimento da fronteira a sul”. Em jeito de graça ou piscar de olhos a Costa, Portas afirmou ainda que sendo uma conferência internacional, quem veio de fora pode ficar contaminado e ter “um desejo não resistível de voltar a Lisboa”.