O Partido Liberal Democrata do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe obteve este domingo uma larga vitória nas eleições legislativas antecipadas, alcançando uma maioria de dois terços na câmara baixa do Parlamento japonês. O desinteresse dos eleitores, aliado à forte queda de neve que se verificou em alguns pontos do país, fizeram destas as eleições menos participadas de sempre da história daquele país.
De acordo com as projeções da NHK, o Partido Liberal Democrata de Abe e o pequeno parceiro de coligação Komeito alcançaram uma maioria de dois terços na câmara baixa, ficando com 325 dos 475 assentos, igualando o número que já existia antes da eleição.
Esta maioria de dois terços vai permitir a Abe, por exemplo, propor emendas à Constituição. A vitória indiscutível nestas eleições vai também, segundo a Bloomberg, tornar mais fácil a Abe avançar com planos impopulares como a reativação dos reatores nucleares e o fortalecimento militar, a que a maioria dos japoneses se opõe.
Foi Shinzo Abe quem pediu a dissolução do Parlamento através da antecipação das eleições, para renovar o apoio em relação à sua política ambiciosa de estímulos, a “Abenomics”. E foi claro: se não tivesse maioria, demitiria-se.
“Eu acredito que o público aprovou os dois anos das nossas políticas ‘Abenomics'”, disse Abe em entrevista, citado pela BBC, visivelmente satisfeito com o resultado das eleições, acrescentando que “as políticas ainda estão apenas a meio caminho”. “Estou ciente de que ainda há muita gente que não está a sentir os benefícios. Mas é meu dever trazer benefícios para essas pessoas e eu acredito que estas eleições deixaram isso bem claro”. Entre as várias promessas, Shinzo Abe deixou uma palavra especial às mulheres japonesas, prometendo ajudá-las “a entrar e a permanecer no mercado de trabalho, apertando as leis antidiscriminação e definindo metas de emprego”.
O primeiro-ministro Shinzo Abe foi eleito em 2012 e tentou reanimar a economia através de um plano conhecido por “Abenomics” e que consistiu no aumento da despesa pública, numa política de estímulos e na impressão de dinheiro.Mas a verdade é que após uma explosão inicial de crescimento, o país voltou a cair em recessão no segundo semestre deste ano. E Abe viu-se na necessidade de convocar as eleições antecipadas.
Sem uma oposição organizada a fazer frente ao partido no poder, por um lado, e a forte neve que caiu em vários pontos do país, por outro, fizeram com que estas eleições tivessem a mais baixa participação de sempre, a rondar os 52,4%, abaixo da baixa recorde de 2012 de 59,3%.