Os bancos portugueses vão voltar a dar lucro em 2015, o que leva a Fitch a subir de “negativa” para “estável” a perspetiva atribuída ao setor. Serão, ainda assim, lucros baixos, sublinha a agência de “rating”, e que se devem sobretudo às operações internacionais, mas o setor irá também beneficiar de uma inversão na tendência nas perdas no crédito. Mas há riscos, e a forte queda do preço do petróleo é um deles.

Para 2015, “antecipamos que os resultados líquidos [agregados para as empresas do setor] dos bancos que acompanhamos irão voltar a terreno positivo, graças às operações internacionais, ao menor custo com a remuneração de depósitos, menos imparidades no crédito e menores custos operacionais”, escreve a agência Fitch em nota publicada esta terça-feira.

O crescimento dos lucros, diz a agência de “rating”, virá sobretudo das subsidiárias internacionais dos bancos, nomeadamente nos países de língua portuguesa. “No entanto, o volume de novos créditos poderá ser penalizado pelas consequências negativas [em alguns desses países] da descida dos preços do petróleo”. A agência Fitch acredita, todavia, que a volatilidade nos preços do petróleo não irá afetar de forma “significativa” o desempenho dos bancos nacionais, já que os créditos no estrangeiro têm um peso “relativamente pequeno” no total das carteiras de crédito.

No mercado português, continuará a ser crucial a redução do risco de crédito. O crescimento económico “limitado” não deixará tão cedo de penalizar a expansão da atividade dos bancos, diz a Fitch. A agência de “rating” antecipa um crescimento de 1,2% do produto interno bruto em Portugal em 2015, menos otimista do que o governo e o Banco de Portugal mas próxima do que preveem o FMI e a Comissão Europeia.

O que irá ajudar os bancos portugueses será a interrupção da subida das perdas no crédito. “O crédito malparado nos bancos portugueses deverá atingir um pico em 2015 e depois estabilizar antes de diminuir lentamente, graças a um regresso ao crescimento económico no mercado interno”, afirma a Fitch. A descida “constante” do desemprego, para 13,8%, “deverá contribuir para uma desaceleração da deterioração da qualidade dos ativos”, afirma a agência de “rating”.

O Observador escreveu recentemente sobre a atividade dos bancos em Portugal, num especial com o título “A banca em Portugal dá lucro?”. A Fitch dá uma resposta: as taxas de juro baixas, as receitas reduzidas e as provisões por crédito malparado ainda em níveis elevados irão fazer com que os lucros sejam baixos, mesmo que, como espera a Fitch, voltem a ser positivos no próximo ano.

Novo Banco: um risco, mas pouco

Apesar do otimismo moderado da Fitch para a banca portuguesa, a Fitch identifica um risco: a venda do Novo Banco. “O Novo Banco é para ser vendido num prazo de dois anos, com o resto dos bancos do sistema a cobrirem quaisquer perdas com a venda através das suas contribuições para o Fundo de Resolução”, diz a Fitch. No entanto, a confirmar-se uma diferença desfavorável entre o valor injetado pelo Fundo de Resolução e o preço da venda da instituição, “essa diferença deverá ser distribuída ao longo de vários anos, de forma a reduzir o impacto negativo sobre os resultados e o capital dos bancos”.

A Fitch assinala, também, que as perspetivas para o “rating” dos bancos nacionais não melhoram porque “é nossa opinião que existe uma intenção clara de reduzir o apoio estatal implícito às instituições financeiras na União Europeia”.