António Costa convidou o economista e consultor da administração do Banco de Portugal Mário Centeno para fazer parte da sua equipa de onze conselheiros económicos, mas o convite só pôde ser aceite depois de o Banco de Portugal (BdP) ter imposto uma série de condições. O economista só pode colaborar com Costa se se comprometer a fazê-lo de forma “isenta, discreta” e sem vincular opiniões pessoais à imagem do Banco. São algumas das regras de ouro.
Mário Centeno teve de pedir autorização ao Conselho de Administração do Banco de Portugal antes de dar o “sim” a António Costa. O caso foi remetido para o gabinete de ética do BdP, que avaliou a situação, acabando por dar um parecer favorável à participação do economista no grupo de trabalho destinado a preparar o cenário macroeconómico sobre o qual o PS construirá o seu programa eleitoral. Mas não sem antes indicar um conjunto de recomendações do código de conduta dos trabalhadores do Banco de Portugal, que o economista deve respeitar.
A primeira regra diz que a participação do economista deve ser “isenta e discreta”, no sentido de que não pode utilizar nenhuma informação privilegiada do BdP que não tenha sido ainda tornada pública. Depois, todas as opiniões expressas por Mário Centeno no âmbito do aconselhamento ao PS devem ser feitas a título pessoal e não vinculadas de alguma forma ao Banco como entidade, e por fim, o BdP recomenda ainda que o economista tenha uma “cuidada ponderação” no exercício das atividades, de forma a ficarem “devidamente salvaguardadas” aquelas que diz serem as características essenciais do Banco de Portugal: “independência e neutralidade no debate político”.
“O trabalhador deve envidar todos os esforços para que este seu posicionamento seja percebido e aceite pelos seus interlocutores”, lê-se na resposta do Banco de Portugal, que o Observador teve acesso.
Mário Centeno, que foi convidado por Costa para ser o coordenador do grupo de trabalho, não é sequer militante do PS. Aliás, é conhecido por ter uma visão económica liberal e foi mesmo autor de um estudo sobre salário mínimo que é muitas vezes citado por aqueles que não concordam com o aumento do salário mínimo nacional.