É uma espécie de dança. PSD e CDS deverão fazer uma coligação pré-eleitoral de forma a enfrentarem juntos as próximas eleições legislativas, mas as duas direções continuam desavindas em público sobre o timing certo para se sentarem à mesa e assinarem um papel.

No conselho nacional do PSD, Pedro Passos Coelho defendeu a necessidade de uma coligação com o CDS na perspetiva de os dois partidos lutarem juntos pela maioria absoluta. As declarações foram entendidas, por alguns, como sendo a maioria absoluta o único motivo para a coligação, mas segundo dirigentes sociais-democratas ouvidos pelo Observador, o líder admitiu a coligação sem ‘mas’.

No verão, o porta-voz do PSD, Marco António Costa, tinha dito que não havia pressa e remeteu para mais tarde uma definição sobre esta matéria. Este mês, um dos vice-presidentes do CDS, Nuno Melo, defendia em entrevista ao DN, a assinatura de uma coligação o mais rápido possível porque isso enfraqueceria a posição do PS.

Na reunião, Miguel Relvas defendeu ainda a coligação considerando que é uma maneira de tentar inverter a tendência nas sondagens que dão atualmente a maioria ao PS. É preciso “arregaçar as mangas” e “começar desde já a inverter esta tendência”, disse, citado pela Lusa.

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Não houve críticas diretas a Portas ou ao CDS. No sábado, tinha sido a vez do CDS reunir este órgão e, durante a reunião, Portas admitiu levar a questão da coligação a referendo interno ou até a um congresso extraordinário. Mas o próprio Passos Coelho quis registar essa novidade, mencionando no seu discurso, sem adjetivar, que o CDS coloca a hipótese de fazer um referendo, apurou o Observador.

Outro tema do conselho nacional foi a prisão de Sócrates. José Pedro Aguiar-Branco, que é ministro da Defesa, trouxe o assunto a discussão, acusando alguns socialistas de instrumentalizar a justiça ao dizerem que se trata de um problema pessoal contra Sócrates. Chamou também a atenção para que o PSD não se pode inibir de criticar as políticas do ex-primeiro-ministro agora que este está preso.

No conselho nacional do CDS, em Elvas, no sábado, por seu lado, o líder do partido, Paulo Portas, anunciou a constituição de um grupo de trabalho, liderado por Assunção Cristas, para começar a fazer um esboço de programa de Governo enquanto não há novidades sobre a coligação com o PSD. “É preciso que o CDS faça o seu trabalho de casa” para “selecionar aquelas que são ideias consistentes sobre os principais problemas de futuro do país e construir o seu programa para a próxima legislatura e o próximo mandato”, justificou aos jornalistas Portas.

Filipe Anacoreta Correia, líder da tendência Alternativa e Responsabilidade que se opõe à liderança de Paulo Portas, diz que o tema da coligação foi propositadamente relegado para último lugar no Conselho Nacional de Elvas que aconteceu no sábado. “Quem pensou a reunião, pensou-a de forma a que não se falasse neste assunto”, afirma ao Observador o centrista. O adiamento da decisão sobre concorrer ou não coligado às próximas legislativas, coloca, segundo Anacoreta Correia, o CDS numa “posição delicada”.

Sem qualquer compromisso ou acordo para a decisão de manter a coligação, Anacoreta Correia diz que os militantes estão prontos a tomar a decisão “noutra sede, fora do eixo da direção do partido”.

A sua tendência defende um congresso extraordinário ou um referendo interno, mas o tempo começa a escassear para estas iniciativas e o centrista teme que a decisão seja tomada apenas pela cúpula do partido. “O calendário já está há muito ultrapassado, o anúncio tinha de ter sido feito na reentre para coincidir com as primárias do PS”, refere, acrescentando ainda que o CDS “tem cada vez menos margem de manobra” para negociar com o PSD.