O Conselho Superior de Defesa Nacional debate esta terça-feira a participação militar portuguesa na coligação internacional contra o Estado Islâmico (EI). As hipóteses de empenhamento em cima da mesa são o treino de militares iraquianos e ajuda humanitária, sendo certo que o envio de militares para terreno de combate está fora de causa, tal como já garantiu ao Observador o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco.

“O nosso apoio pode-se fazer no campo da ajuda humanitária, ajuda logística ou de formação e treino de outros países. As chamadas tropas no terreno para fazer combate não está no campo da nossa avaliação”, afirmara o ministro da Defesa, em entrevista a Observador, em outubro, recordando que neste momento Portugal tem Forças Armadas empenhadas no Kosovo, Golfo da Guiné e Mali.

Portugal comprometeu-se com a coligação internacional contra o EI no verão. “Uma coligação tem o apoio do Estado português, porque concordamos que este tipo de terrorismo não se pode combater apenas com meios militares, mas eles têm que ser utilizados. Sempre que conquistam uma cidade matam civis e violam mulheres. A contenção imediata não se pode fazer com diálogo”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, considerando que este é um “género de terrorismo complexo e difícil de combater”.

“Compreende-se que o presidente Obama tenha, nestas circunstâncias muito especiais, pedido uma coligação para encontrar as formas de combate mais adequadas. Portugal está de acordo, apesar de não ter ainda nenhuma decisão, até porque não temos meios que facilmente vão tão distantes”, salientou.

Portugal já teve presença militar no Iraque entre 2004 e março de 2009, com militares do Exército (53 ao todo) para uma missão de formação das estruturas de comando das forças de segurança iraquianas. Entre 2003 e 2005, o Governo de então enviou militares da GNR para uma primeira missão naquele território.

O Conselho Superior de Defesa Nacional, que se reúne esta tarde, é um órgão consultivo do Presidente da República e nele têm assento os quatro chefes militares, do Estado-Maior General das Forças Armadas e de cada um dos ramos.