O PS está satisfeito com o debate da dívida que decorreu na terça-feira numa conferência parlamentar e que vai estar esta sexta-feira novamente em discussão no plenário da Assembleia da República, com a presença do Governo. Foi “útil” e mostrou “convergência” com a posição defendida pelo PS sobre o endividamento público, é este o coro da bancada socialista. As divergências sobre o facto de os partidos da maioria terem condensado toda a discussão em apenas um dia de conferência parece ter ficado para trás.

A questão da dívida foi durante muito tempo um dos maiores tabus da ainda curta era de António Costa à frente do PS, com todas as bancadas a questionarem os socialistas sobre qual era afinal a sua posição sobre o assunto: reestruturar ou pagar tudo? Nem um nem outro. Para sair do embaraço, os socialistas pediram um debate “amplo e alargado” para o Parlamento refletir sobre a matéria. Debate feito, PS diz que especialistas e oradores deram razão à posição que defende.

E que posição é essa? “Que a dívida pública é uma questão muito grave, que não se pode permitir que o Governo continue neste ‘deixa andar’, e que é um problema da Europa que por isso deve ser resolvido à escala europeia”, afirmou o líder da bancada socialista, Eduardo Ferro Rodrigues, ao Observador.

Para o deputado Eduardo Cabrita, presidente da COFAP (Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública), o debate foi “útil” e mostrou que “tem de haver uma leitura inteligente e flexível do Tratado Orçamental”, a fazer junto das instituições europeias. Essa foi a linha escolhida por António Costa na Agenda para a Década como proposta de solução para o problema da dívida pública, e para sair do impasse em que tinha mergulhado. Ainda assim, os socialistas não deixam de largar críticas ao facto de as audições não terem sido individualizadas e, ao invés, terem sido concentradas num só dia. “O debate não se pode esgotar na conferência de terça-feira nem pode acabar no debate de amanhã”, diz Eduardo Cabrita.

No debate de sexta-feira, que vai ser dedicado inteiramente ao problema da dívida, fontes da bancada socialista garantem ao Observador que a posição do PS vai ser de mostrar ao Governo que a conferência desta semana foi ao encontro daquilo que o PS defende. E de dizer que o Governo “não pode continuar com uma posição extremista sobre o pagamento da dívida como a que tem mantido até aqui”.

Na conferência parlamentar temática, estiveram personalidades nacionais e internacionais, como especialistas estrangeiros e intervenientes políticos na reestruturação da dívida grega ou argentina, assim como personalidades do panorama português como o ex-ministro João Cravinho ou o economista Paulo Trigo Pereira, o investigador José Castro Caldas ou representantes do Banco de Portugal como João Costa Pinto. Quando o PS propôs a realização da audição pública a várias personalidades sobre a questão da dívida – proposta que foi viabilizada pela maioria no Parlamento – não definiu, no entanto, os moldes em que o debate se iria realizar. Aí a decisão foi da maioria PSD/CDS que acusou os socialistas de não terem apresentado uma proposta concreta e que decidiu as diretrizes em que a discussão se iria realizar: uma conferência no Parlamento (que limitava o número de oradores) e um debate plenário sobre o tema.